INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • É preciso preparar o terreno

    Grande parte do problema de carência de mão de obra no campo que vem se agravando nos últimos 10 anos, como mostra reportagem do caderno Campo e Lavoura de hoje tem relação com a dificuldade de formar sucessores. Responsável por 70% da produção nacional, a agricultura familiar sofre ainda mais com esse problema. Hoje, faltam herdeiros em 42,5 mil das 378,55 mil pequenas propriedades do Estado, segundo dados da Emater.
    Como em todo negócio, a produção agropecuária precisa garantir a continuidade das atividades. Mas a tarefa de convencer jovens a investir em atividades campeiras é cada vez mais árdua. Sobram facilidades na cidade grande. A internet e os meios de comunicação se proliferam em velocidade muito maior nos centros urbanos do que no meio rural. E isso é um problema.
    É preciso estender as facilidades da vida moderna a todos os recantos do Rio Grande do Sul. Quem trabalha na produção também precisa e quer se sentir parte do mundo. Não existe fórmula ou receita de bolo para fazer a transição dar certo, mas especialistas concordam que ouvir as necessidades dos jovens é fundamental. Respeitar as diferenças entre as gerações também é importante.
    Hoje, a tradicional cabanha Catanduva conclui em remate realizado na Capital um bem-sucedido processo de transição, que vem sendo construído há anos. Fabiana assume o lugar do pai, Fábio Gomes, no comando dos negócios. Donos de estilos completamente diferentes, eles souberam afinar o discurso pelo bem do empreendimento. Sem esquecer das peculiaridades de cada um. Nos próximos passos da propriedade, a filha já deixa seu estilo de gestão.
    – O pai é mais do marketing, eu sou mais focada, mais do planejamento – definiu Fabiana.
    Um belo exemplo de como experiências diferentes podem somar forças, garantindo vida longa ao agronegócio.

  • Cevada no inverno e no verão

    Opção que vem ganhando espaço cada vez maior na safra de inverno gaúcha, a cevada hoje abastece a produção da indústria de cerveja do país. Mas em um futuro não tão distante, o cereal poderá aparecer nas lavouras de verão, como alternativa de forrageira.
    Essa é a proposta de uma pesquisa que vem sendo desenvolvida pela Embrapa Trigo, de Passo Fundo, e que pode chegar ao mercado no próximo ano. De ciclo mais curto, poderia ser plantada na janela da safra de verão com a de inverno, entre março e maio.
    – É uma cultivar com um maior teor de proteína, o que é ótimo para as forrageiras – explica Euclides Minella, pesquisador em melhoramento genético.
    Neste ano, a projeção é de que a área cultivada com a cevada tradicional no Brasil cresça 12%, chegando a 123 mil hectares, metade no Estado. Para dar uma forcinha à produção de malte, a Embrapa lançou, em parceria com a Malteria do Vale, a cultivar BRS Itanema, que irá atender à demanda de regiões irrigadas do Sudeste e Centro-Oeste do país.

  • Quantas sacas fazem um apartamento?

    O uso de soja para o pagamento de mercadorias não é uma prática incomum no Estado, mas em ano de safra recorde, a moeda se multiplica. Em Cruz Alta, a DB Construções aceita sacas do grão como pagamento do imóvel (foto).
    – Abrimos essa oportunidade para atingir o produtor – explica Marcio Silva, gerente da construtora, acrescentando que o pagamento com o grão é de parte do imóvel.
    Ireneu Orth, presidente da Associação dos Produtores de Soja (Aprosoja-RS), estima que entre 30% e 40% dos negócios no Interior sejam feito com soja.
    – No Planalto Médio, as negociações de terra são todas em sacas de soja – diz Orth.

  • Informação extra para demarcações

    Os pequenos agricultores ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul) saíram ontem de reunião com representantes do governo federal, em Brasília, com a promessa de revisão nos processos de demarcação de territórios indígenas em áreas rurais do Estado. O encontro contou com a presença do governador Tarso Genro, e da ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, além de produtores.
    Segundo Cleonice Back, coordenadora da Fetraf-Sul, além dos laudos antropológicos para definir as demarcações, o Planalto deve solicitar pareceres técnicos aos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário e à Embrapa para ter mais informações.
    *Colaborou Vagner Benites

Fonte: Zero Hora

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