INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Porto seguro ameaçado

    Desde o início da fraude detectada pelo Ministério Público gaúcho, uma porção da cadeia do leite vinha se mantendo incólume ao problema. Em meio a tantas incertezas diante do consumidor, as cooperativas que atuam no setor representavam uma espécie de porto seguro. A percepção era resultado da imagem de rigor no controle da produção e do compromisso dos associados, que fazem questão de garantir a qualidade da mercadoria entregue.
    Mas a revelação, ontem, na segunda fase da operação Leite Compen$ado, de que o leite adulterado era comprado pela Confepar, acende o alerta vermelho. A cooperativa tem 30 anos no mercado e é a principal em atuação no norte do Paraná.
    Manifestando-se apenas por nota, a indústria rechaçou qualquer participação na fraude. Mas ficou claro que algo falhou no caminho. Do contrário, a Confepar teria pelo menos colocado sob suspeita a compra feita no Rio Grande do Sul tão logo veio a notificação do Ministério da Agricultura para que reforçasse os testes feitos no produto proveniente de fornecedores gaúchos.
    Presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado (Ocergs), Vergilio Perius reforça o coro dos que reclamam da ausência de uma fiscalização mais dura no caminho do leite.
    – Temos de corrigir o papel dos freteiros – afirma, ao mesmo tempo em que defende o zelo como prática habitual nas plataformas de recebimento de leite das cooperativas gaúchas.
    Há cerca de cinco anos, foram feitas, inclusive, experiências para atribuir o recolhimento do leite a funcionários próprios, sem depender de terceiros para a tarefa. A proposta esbarrou no custo elevado.
    – O Estado terá de encontrar um caminho – recomenda Perius.

  • Carne ao gosto do freguês

    Apesar dos embargos que ainda persistem, a indústria brasileira de carnes comemora os bons resultados do primeiro quadrimestre deste ano. O faturamento subiu 19,5% em relação ao mesmo período de 2012, chegando a US$ 1,9 bilhão.
    No topo da lista dos maiores compradores está Hong Kong, com 111,31 mil toneladas do produto, somando US$ 437,89 milhões. Não por acaso, uma missão da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) esteve lá no início deste mês. Em um evento para 130 pessoas, foi servido um churrasco com gostinho brasileiro (foto).
    – Hong Kong é um grande parceiro. O cardápio deles tem mudado, para melhor – avalia o presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli.
    Para tratar dos embargos (seguem na lista Iraque, Kuweit, Arábia Saudita, Japão e China), o Ministério da Agricultura marcou reuniões bilaterais para semana que vem, quando ocorre encontro da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Camardelli projeta um desfecho positivo: a suspensão deve ser revista até o final deste mês.

  • Indefinição sobre filantropia preocupa

    A discussão não é nova. Mas toda vez que a filantropia da Emater fica em perigo, o barulho é grande. Em decisão tomada ontem, a 1ª turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região aceitou o recurso do Ministério Público Federal (MPF) e anulou o julgamento de agosto de 2012. Na ocasião, a definição foi pela manutenção da liminar que suspende as cobranças de dívidas e garante a filantropia à entidade.
    Agora, o MPF tem prazo de 30 dias para se manifestar sobre a ação. Com o parecer em mãos, os desembargadores julgarão novamente o recurso.
    – O que está sendo colocado em jogo é se você vai ou não desestruturar esse serviço – desabafa Lino De David, presidente da Emater.

  • Revisão de regras

    A resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) que exigia, entre outros itens, a obrigatoriedade do emplacamento de tratores deverá ser revista. Uma nota técnica será feita para esclarecer dúvidas e simplificar as normas. Com a decisão, a Fetag cancelou a mobilização prevista para semana que vem.
    Os frigoríficos gaúchos foram convocados pelo Ministério Público do Trabalho para uma audiência pública hoje. Na pauta, a implementação da NR 36, que foca na segurança e saúde dos trabalhadores dessas empresas.

Fonte: Zero Hora

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