INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Pós-colheita na mesma grandeza da safra

    Da porteira para dentro, como se costuma dizer, o dever de casa foi feito, permitindo ao Estado fazer história ao projetar colheita de mais de 30 milhões de toneladas de grãos. Uma combinação de fatores permitiu que se chegasse a esse resultado.
    Seria simplista colocar todo mérito do resultado na boa vontade de São Pedro. Até porque quem trabalha com a agricultura sabe que, nos dias de hoje, é preciso mais do que chuva para fazer a lavoura render. Precisão e tecnologia são ferramentas fundamentais. Mas também não se pode fazer uma boa lavoura sem água – e daí a importância da irrigação.
    Não há dúvidas de que o acesso a financiamentos e políticas públicas eficazes fazem parte da estrutura necessária à obtenção do resultado desejado. E é por isso que, para não desperdiçar tamanha grandeza pela caminho, é preciso manter o ritmo na hora de negociar a produção, dando condições de um escoamento sem percalços.
    – Não temos uma estrutura ideal, mas temos condições de fazer um bom escoamento da safra – garantiu o governador Tarso Genro, ao revelar os números da Emater.
    É pelas estradas que circula a maior parte da nossa produção – 75% do transporte até o porto de Rio Grande é feito por esse meio.
    Depois de anunciar com toda solenidade que merece o resultado previsto para o campo, o governo agora deve voltar as atenções para as rodovias por onde passa a produção gaúcha. Ainda há muito chão batido, muito buraco e muita poeira no caminho da safra.
    Se o volume colhido neste ano injetará resultados positivos na geração de riqueza, vale lembrar que o custo logístico em toda a economia consome, segundo estimativa da Agenda 2020, 19,46% do PIB gaúcho.
    Para acompanhar a evolução histórica da produção agrícola, é preciso continuar fazendo o dever de casa também do lado de fora da porteira das propriedades.

  • Chegou a concorrência no porto

    Com o pico da exportação de soja gaúcha realizado entre abril e maio, a preferência nos terminais do porto de Rio Grande neste período passa a ser do grão que é o carro-chefe da economia gaúcha. Mas para que outros produtos, como o arroz, tenham um espaço garantido, ainda que em menor volume, a Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz) conta com um acordo de cavalheiros com os administradores do terminal Termasa-Tergrasa para não perder a vez.
    – Sempre abrimos espaço, mesmo que seja mínimo. É importante para manter o mercado, dar continuidade – afirma Guillermo Dawson, diretor-superintendente do terminal.
    Presidente da Federarroz, Henrique Dornelles concorda. Não ter arroz à disposição do comprador externo é “a mesma coisa que uma marca sair da prateleira de um supermercado”.
    – Prevíamos que com a forte safra de soja, o arroz ia ficar de lado. Por isso, nos preocupamos em garantir espaço – completa Dornelles.
    Segundo o levantamento da Emater, o Estado deve colher 8,77 milhões de toneladas. Com um volume entre 10% e 15% ainda a ser colhido, Dornelles opina:
    – Ficaria muito feliz se chegássemos a esse número. Mas estimo uma produção de cerca de 8,2 milhões de toneladas.

  • Espaço guardado para a soja na Cesa

    Enquanto aguarda a nota técnica com análise da proposta de federalização, a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) segue apostando em alternativas que ajudem a recuperar as contas do órgão.
    Depois de abrir espaço para a safra de trigo, que ocupa atualmente 56% da capacidade estática de armazenamento – que é de 600 mil toneladas –, a ideia é que entre um pouco da recorde produção de soja.
    – Podemos armazenar cerca de 100 mil toneladas com o grão – projeta Márcio Pilger, presidente da Cesa.
    Atualmente, oito unidades da companhia estão com mais de 90% do espaço ocupado com trigo.

    A Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) realiza dia de campo hoje, na sede da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé. Na ocasião, serão divulgados os resultados das provas de avaliação a campo de reprodutores das raças.

  • Olho na lagarta até mesmo no frio

    No início da safra de verão, ela foi apontada como potencial vilã da produção gaúcha. Mas com o ciclo praticamente encerrado no Estado, a avaliação de José Candido Motta, gerente de defesa vegetal da Secretaria da Agricultura, é de que a lagarta Helicoverpa armigera veio para ficar, mas que os prejuízos causados foram pontuais. Ainda assim, o trabalho de monitoramento deve seguir também com as culturas do frio.
    – Não podemos parar. Como é uma praga desconhecida, temos de segui-la todo inverno – afirma Motta.
    O grupo de trabalho criado para monitorar a situação deve se reunir em maio para analisar o cenário da presença da lagarta no Estado.
    O texto com as normas da Fepam para a licença ambiental da silvicultura já está pronto. A ideia é ter um sistema simplificado. O assunto agora está sendo discutido com as secretarias do Meio Ambiente e da Agricultura.

  • Maioridade com escolaridade

    Já está escolhida a área onde vai funcionar o polo de educação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS) no Estado. Será em Cruz Alta, onde a entidade irá desenvolver um curso de técnico agropecuário, já aprovado pelo Ministério da Educação. A formação será na modalidade à distância, com algumas aulas presenciais.
    – A intenção é começar no segundo semestre – diz Gilmar Tietböhl, superintendente do Senar-RS.
    Além de formar técnicos de nível médio, a meta da entidade, que acaba de completar 21 anos, é reforçar a estratégia de associar treinamento com assistência técnica. Os polos de educação que estão sendo criados Brasil afora farão parte da rede de faculdade da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil.

    – Começa hoje a disputa do Crioulaço. As provas são organizadas pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) e se estendem até domingo no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

 

Fonte: Zero Hora

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