INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Irrigação: mudanças e novas perguntas

    Quem sai ganhando com o acordo firmado para mudanças no Mais Água, Mais Renda e nos licenciamentos individuais é o produtor. Depois de mais de dois meses de discussões envolvendo técnicos, as polêmicas e as indefinições que colocaram integrantes do governo em lados opostos chegaram ao fim.
    Com os novos parâmetros, o objetivo é retomar o fôlego do programa que nunca foi interrompido, frisou ontem o secretário da Agricultura, Claudio Fioreze, mas desacelerou diante das incertezas. Em dezembro, a área contemplada por projetos, em diferentes estágios, era de 69 mil hectares, hoje é de 71,1 mil hectares.
    Dentro do Mais Água, Mais Renda, pelo menos duas alterações têm impacto significativo no dia a dia do produtor: a captação de água dos rios será permitida, conforme a disponibilidade apontada pelo Departamento de Recursos Hídricos.
    E pelo menos 15% dos projetos terão de ser previamente vistoriados.
    – Os controles melhoraram – reconhece o secretário Fioreze.
    Os limites do programa contemplam 90% das propriedades, segundo o presidente da Fepam, Nilvo Silva, e permanecem iguais: açudes de até 10 hectares e áreas irrigadas de até cem hectares.
    Para os empreendimentos maiores, foi criada portaria – que sai hoje no Diário Oficial, como já havia sido antecipado. Com o documento, simplifica-se o processo de licenciamentos individuais para açudagem e barragem (veja ao lado). A promessa é dar mais agilidade.
    Quanto aos produtores do Mais Água, Mais Renda que já tinham sistemas com captação direta de água dos rios, até então não autorizada, a pergunta que fica é: o que acontece? De 1,3 mil projetos contratados, 30% estariam nessa situação.
    – O que vamos fazer agora é entender o problema para então analisar a solução – pondera o presidente da Fepam.

  • MAIS SIMPLES

    Os parâmetros da portaria
    PARA AÇUDAGEM
    – Até 50 hectares: encaminhamento pode ser feito pela internet
    – Acima de 50 hectares: haverá necessidade de Relatório Ambiental Simplificado
    PARA BARRAGENS
    – Até 25 hectares: encaminhamento pela internet
    – Entre 25 e 50 hectares: necessidade de Relatório Ambiental Simplificado
    – Acima disso: necessidade de estudo de e relatório de impacto ambiental
    Das 25 bacias hidrográficas do Estado, pelo menos 3 já tinham captação direta proibida. Eram as dos rios dos Sinos, Gravataí e Santa Maria.

  • Cadastro à espera da caneta da presidencial

    Depois de divergências entre os ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura, o decreto que regulamenta a instalação do servidor nacional para o Cadastro Ambiental Rural (CAR) está pronto. O sistema permitirá o envio de dados – hoje, o produtor preenche o formulário, mas não tem como remetê-lo.
    Durante passagem pela Capital onde participou do seminário internacional sobre o Bioma Pampa, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que o texto está definido – depende agora da presidente Dilma Rousseff.
    O CAR foi lançado no Estado em setembro de 2013. Desde então, é aguardada publicação do decreto. O cadastro é exigência do novo Código Florestal, aprovado em maio de 2012.
    – A Fepam promete lançar até o fim de maio novo portal para licenciamento ambiental. A ideia é que a ferramenta agrupe informações e facilite a vida de quem precisa encaminhar processos.
    – Mais quatro frigoríficos bovinos receberam autorização para exportar à Rússia. Uma dessas unidades fica no Estado: é a planta da Seara localizada em Frederico Westphalen. O Brasil tem agora 58 frigoríficos autorizadas a embarcar o produto.

  • Transformação no rastro da soja

    Assim como a produção, a Fenasoja, realizada em Santa Rosa, transformou-se ao longo de suas 20 edições. Desde 1966 (foto pequena), quando foi realizada a primeira feira, até agora, a área cultivada com o grão e os resultados obtidos na colheita cresceram a passos largos. O avanço para a Metade Sul e a Fronteira Oeste se consolida a cada ciclo.
    – A soja tem poder de transformação muito grande. Para nós, deixou de legado também o desenvolvimento de outras atividades, como a produção de suínos e de leite – afirma Ângela de Faria Maraschin, presidente da Fenasoja.
    Berço do plantio comercial da soja no país, Santa Rosa vê hoje a produção de suínos e de leite ganhar força. Em um raio de cem quilômetros, o abate diário soma mais de 7 mil animais. A produção leiteira da região tem crescimento anual de 10%.
    Realizada a cada dois anos, a feira, que começa amanhã e vai até o dia 4 de maio, terá um cenário bem diferente de 2012, quando a seca provocou estragos em toda a economia. A expectativa é de que os negócios, que somaram R$ 45 milhões, crescem pelo menos 20%.
    – Viemos de duas safras cheias – pondera Ângela.
    O ciclo atual deve confirmar recorde histórico não só da soja, com mais de 13 milhões de toneladas, mas também de grãos. Os números da Emater serão apresentados hoje pessoalmente pelo governador Tarso Genro.

  • FENASOJA, DIVULGAÇÃO

Fonte: Zero Hora

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