INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Duas faces do mesmo recorde

    Das indústrias brasileiras abastecidas pelas boas colheitas de soja, a do biodiesel vive, neste momento, uma situação contraditória. Se por um lado as perspectivas de novos recordes para este ano são animadoras e abastecem com euforia o setor, por outro, a indefinição quanto ao marco regulatório preocupa.
    Por enquanto, não há sinais, por parte do governo federal, quanto à adoção das novas regras que vêm sendo discutidas para a produção. O pedido é para que seja ampliado o percentual de adição do biodiesel, atualmente em 5%. A ideia é aumentar para 7% e, gradualmente, ir subindo para chegar a 20% em 15 anos. Segundo o presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, deputado federal Jerônimo Goergen, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que a medida provisória com o novo marco está na Casa Civil.
    A espera por uma decisão acaba colocando em compasso de espera possíveis investimentos. Mais do que isso, tem feito com que muitas indústrias paralisem suas atividades.
    – Também existem unidades prontas que não entraram em funcionamento – afirma Goergen.
    E se dentro de casa a ausência de novos parâmetros causa indefinição, fora do país, a preferência pelo grão in natura cresce e compromete a competitividade da indústria.
    – Estamos deixando de aproveitar uma grande oportunidade. No ano passado, tivemos a maior produção de soja, mas também cresceu o percentual de grão exportado – avalia Erasmo Carlos Battistella, presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio).
    Como o Plano Nacional de Produção e Uso do Biodiesel traçava a meta de se chegar a 5% de adição de biodiesel até 2013 – objetivo alcançado em 2010 – , sem um novo parâmetro cria-se uma lacuna para o setor que no ano passado movimentou entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões.
    Desde a entrada das primeiras sementes transgênicas no país, em 1997, os ganhos econômicos com o uso da biotecnologia chegam a US$ 24,8 bilhões. De acordo com a consultoria Céleres, os benefícios nos últimos 17 anos se deram em maior produtividade das lavouras, na redução de custos e também na indústria.
    – O retorno do investimento nas tecnologias justifica a adoção das mesmas pelo agricultor brasileiro – destaca o diretor da Céleres, Anderson Galvão, acrescentando que os transgênicos já ocupam 99,1% das áreas de soja e 88,1% das áreas de milho no Rio Grande do Sul.
    O estudo, encomendado pela Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), reforça tendência de aumento na adoção de sementes que tenham mais do que uma tecnologia: tolerância a herbicida e resistência a insetos, por exemplo.
    – Daqui cinco a 10 anos, os avanços em biotecnologia farão com que a mesma semente tenha resistência a herbicidas, insetos e fungos – aponta o presidente da Abrasem, Narciso Barison Neto.

  • Quanto rende o transgênico

    A exportação de tabaco em folha rendeu ao Brasil novo recorde em 2013, quando foram embarcadas 627 mil toneladas do produto, o que somou, em receita, US$ 3,27 bi segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento. A produção brasileira – mais de 85% é vendida ao Exterior – chegou a 102 países diferentes. A União Europeia é o principal destino.

  • Raiva bovina traz alerta ao Estado

    Novas suspeitas de casos de raiva bovina foram encaminhadas pela Secretaria da Agricultura para análise. Neste ano, já houve diagnóstico positivo em Venâncio Aires, Chiapeta e Vale Verde. Desde 2011, o número de casos no Estado já passaria de 30 mil.
    A doença é transmitida por morcegos hematófagos. Além do controle desses animais, a vacinação é outra forma de prevenção. Como há registro de novos casos, a secretaria não descarta a possibilidade de tornar a imunização obrigatória.
    * Cresceu 8% a quantidade de embalagens vazias de defensivos agrícolas encaminhadas para destino ambientalmente correto em 2013 por meio do Sistema Campo Limpo. No país, foram 40,4 mil toneladas.
    * O porto de Rio Grande se consolidou como o segundo com maior volume embarcado de soja no país em 2013. Das 42,7 milhões de toneladas enviadas ao Exterior, 19% saíram daqui – só ficamos atrás de Santos.

  • Data para criação do Instituto Gaúcho do Leite

    Com minuta básica do estatuto pronta, o Instituto Gaúcho do Leite (IGL) pode passar a existir, de fato, a partir de 11 de fevereiro. Essa é a data proposta para a reunião de criação da entidade privada que ficará responsável pela execução de projetos para o setor – a serem financiados pelo fundo estadual do leite, o Fundoleite.
    – A ideia é terminar fevereiro com o instituto já criado – afirma Vergilio Perius, presidente do sistema Ocergs/Sescoop-RS, que tem participado ativamente do processo de implementação do IGL.
    O documento já foi apresentado a um grupo de entidades, que se mostrou favorável. Ainda é aguardado o posicionamento de outras, como Sindilat e Farsul.
    O prazo para a implementação do IGL é de 180 dias, a partir da data de publicação da lei que criou o Fundoleite, em 27 de dezembro do ano passado. A pressa em tirar o instituto do papel é para poder acelerar o andamento de ações que ajudem a desenvolver todo o setor.
    – Temos de investir em campanhas de consumo do leite, por exemplo, que cai muito nesta época do ano – diz Perius.

  • Em reunião marcada para amanhã com a Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos, a Secretaria da Agricultura pode fechar contrato para uso da área no parque Assis Brasil, em Esteio. Seria o primeiro dentro das diretrizes estabelecidas pela nova lei.
    Colaborou Joana Colussi

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Fonte: Zero Hora

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