INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Todo mundo precisa fazer o tema de casa

    Não há dúvidas de que o maior prejudicado na fraude do leite é o consumidor. Ao levar para casa um produto adulterado, foi, sem saber, exposto a risco. Mas, neste episódio, é a produção gaúcha de leite que tem tudo a perder. Do agricultor à indústria. Recuperar a confiança dos compradores vai exigir bem mais do que paciência e tempo.
    Parte do trabalho de excelência genética e de manejo desenvolvido por produtores gaúchos se dilui em meio ao escândalo. Segundo maior produtor do Brasil, o Estado tem a mais alta produtividade – 2,54 mil litros de leite ao ano por vaca, segundo o IBGE, quase o dobro da média nacional, de 1,38 mil litros.
    Em contrapartida, um ranking nacional de análise de coletas coloca o leite gaúcho como o de pior qualidade, segundo o superintendente do Ministério da Agricultura no Estado, Francisco Signor. Talvez um reflexo do fato de que aqui se façam mais análises, pondera ele.
    Diante de um volume diário de 10 milhões de litros de leite, conforme dados do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado, qualquer descuido – ou má-fé – pode trazer consequências desastrosas.
    – A indústria tem de fazer a sua parte. Um fato como este mexe com o crédito na segurança de um alimento – avalia o presidente da cooperativa Piá, Gilberto Kny.
    Escalado por Tarso Genro como porta-voz do governo para falar sobre o assunto, o secretário da Agricultura, Luiz Fernando Mainardi, ressaltou a importância de que os responsáveis pela fraude sejam punidos, sob pena de macular a imagem de um setor que movimenta 2,5% do PIB gaúcho. Mas dizer que batizar leite com água é um crime tão antigo como abigeato e prostituição (sic), como fez ontem o secretário, em cerimônia no Palácio Piratini ,pode gerar interpretações de que existe tolerância com esse tipo de prática.
    – Não dá para colocar só nas costas do produtor o peso da qualidade – reclama Elton Weber, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), em referência às exigências da Instrução Normativa 51.
    Tem toda razão. Produtor, fiscalização e indústria, todos têm de fazer a lição de casa.

  • Presenças confirmadas e uma ausência sentida

    A 36ª Expoleite e a 9ª Fenasul, realizadas entre os dias 15 e 19 deste mês no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, terão a presença de 1.990 animais, número 9,64% maior do que no ano passado.
    Uma ausência, porém, será sentida. Uma incompatibilidade de calendário – a 25ª Fenovinos, de Júlio de Castilhos, ocorre no mesmo período–, impediu a participação dos ovinos nesta edição.
    O maior grupo será de gado leiteiro da raça holandesa, que levará 255 exemplares, de 44 produtores, vindos de 27 municípios diferentes do Estado.

  • Reforço precisa sair do papel

    A operação desencadeada pelo Ministério Público repercutiu no lançamento da Expoleite-Fenasul. Na cerimônia, o secretário-adjunto da Agricultura, Claudio Fioreze, lembrou que os investimentos feitos na defesa sanitária estadual somam R$ 25 milhões – a meta é chegar a R$ 50 milhões.
    A autorização para a realização de concurso público para 335 vagas para reforçar o quadro – sendo 110 específicas para o trabalho de inspeção – deve sair nos próximos dias.
    No pacote para organizar e ampliar os ganhos da produção gaúcha de leite entram ainda a implementação do Fundo de Apoio do Desenvolvimento do Leite (FundoLeite).
    Mas é bom lembrar que, para que todos essas iniciativas se tornem eficazes, precisam sair do papel.

  • O deputado estadual Ernani Polo (PP) protocolou ontem na Assembleia pedido para a realização de audiência pública. Um dos pontos a serem discutidos seria um mecanismo para o controle do transporte de leite.

  • Grana extra para a feira no tempo suplementar, a pedido

    Foi já no tempo suplementar, mas os organizadores Expoleite-Fenasul conseguiram ontem um pequeno reforço no caixa para a realização da feira. Chamado pelo governador Tarso Genro para falar sobre o desempenho dos financiamentos do agronegócio, o presidente do Badesul, Marcelo Lopes, foi intimado a contribuir com o evento.
    – Estou pedindo publicamente verba para a Fenasul – disparou Tarso.
    Conforme Lopes, o Badesul irá liberar R$ 20 mil. Um alento depois da confusão sobre patrocínio envolvendo o Banrisul – que quase inviabilizou a realização do evento.
    *Colaborou Cleidi Pereira

Fonte: Zero Hora

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