INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • O entrevero na conta da erva-mate

    Na hora do chimarrão, 2013 fez o consumidor gaúcho sentir o gosto amargo do verbo aumentar. Vários fatores como a redução no pagamento aos produtores, que levou ao abandono do cultivo diminuíram a oferta e fizeram com que o principal ingrediente dessa tradição tivesse forte alta. No acumulado do ano, chegou a 60,82% na Capital, conforme o IPC-S.
    Mas essa equação ganha agora novos componentes, que podem (ou não) alterar o resultado final. De novembro para cá, os valores pagos ao produtor começaram a cair. Conforme Valdir Zonin, secretário-executivo do Fundo de Desenvolvimento e Inovação da Cadeia Produtiva da Erva-Mate do Estado (Fundomate), o preço da arroba (equivalente a 15 quilos de folha verde) teria passado de R$ 30 para R$ 20 – o valor varia conforme a região e a qualidade. Por enquanto, essa diferença não se refletiu no varejo.
    – O preço deveria ter caído entre 20% e 25% para o consumidor – avalia Zonin, para quem as redes de supermercado têm exagerado nas margens de lucro, de até 60%.
    Diretor-executivo do Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate), Roberto Ferron também afirma que a margem do varejo fica entre 45% e 60%. Enquanto a indústria negocia o pacote de um quilo entre R$ 7 e R$ 10, o súper estaria revendendo entre R$ 10 e R$ 15, argumenta.
    Antônio Longo, presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), contesta a informação. Diz que a indústria aumentou em 60% durante 2013 o valor de venda ao varejo e, com isso, a margem inclusive diminuiu.
    – O varejo ainda não sentiu essa redução para o produtor – completa.
    E é aí que a conta se complica. Apesar do aumento considerável para o consumidor final, a indústria ainda não teria conseguido repassar toda valorização da quantia paga ao produtor ao longo de um ano – em torno de 400% –, antes da queda que começa a ser registrada agora.
    Por ora, a previsão é de manutenção dos preços ao consumidor final – sem novas altas, mas também sem reduções.
    Ninguém quer ver de novo o cenário em que a arroba negociada a R$ 5 afugentou agricultores do cultivo. O produtor precisa ser remunerado, mas as contas devem estar em sintonia dos dois lados do balcão. Para que não seja preciso economizar no mate.
    Pelo peso que tem como maior importador mundial de carne bovina, os Estados Unidos são um mercado há muito cobiçado pela indústria do Brasil, maior exportador mundial do produto. É por isso que a perspectiva da abertura é aguardada com ansiedade pelo setor.
    – Os EUA são uma porta de acesso ao Nafta. E há outros países que o Brasil não acessa porque não está habilitado a vender aos americanos – pondera Antonio Camardelli, presidente da Associação das Indústrias Exportadoras de Carnes.
    A expectativa é de que o processo de abertura, já iniciado, esteja concluído ainda neste primeiro semestre, segundo o secretário de relações internacionais do Ministério da Agricultura, Marcelo Junqueira.
    Em dezembro, os EUA abriram uma consulta pública sobre o tema, que segue por um período de 60 dias. A ideia, afirma Junqueira, é ter um sistema de equivalência e de simultaneidade. Ou seja: os americanos abrem o mercado para o Brasil e nós abrimos nosso mercado para os EUA.
    – Iremos exportar para eles o dianteiro, que é uma parte que sobra aqui – completa o secretário.
    O volume inicial de vendas é estimado entre 20 mil e 30 mil toneladas.
    Outro importante mercado, a China – que ainda mantém embargo à carne bovina – enviará uma missão ao Brasil. Serão seis técnicos, que devem chegar no dia 3 de fevereiro, e vêm verificar nosso serviço de inspeção.

  • Parceria para facilitar o crédito à indústria

    A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) fechou convênio com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) no Rio Grande do Sul, no Paraná e em Santa Catarina. A ideia é ter um canal mais direto com as empresas, identificando potenciais demandas de crédito do setor.
    No RS, das 150 empresas associadas, em torno de 50 são de fabricantes de máquinas e implementos agrícolas.

  • Novilhos valorizados

    Atento leitor da coluna Informe Rural lembra que quando o assunto é a valorização dos novilhos dentro do programa Carne Angus Certificada, é importante destacar que o valor de R$ 8,80 o quilo se refere à carcaça.
    Já os R$ 4 apontados pelo levantamento da Emater como preço máximo se referem ao quilo do boi vivo.
    Na tentativa de segurar os preços do arroz, a Companhia Nacional de Abastecimento realiza na próxima semana, dia 14, novo leilão em que serão oferecidas
    100,31 mil
    toneladas do grão. Será a segunda oferta em 2014: na última terça, foram negociadas 90,29 mil toneladas.
    A ESPM Sul está com inscrições abertas para a 6ª edição do Curso de Férias em Agronegócio. As aulas vão de 13 a 16 deste mês. Entre os temas estão protecionismo e venda de commodities nas bolsas de mercadorias. Informações em espm.br.

Fonte: Zero Hora

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