INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Moeda de compra na cidade

    A soja colhida na lavoura acaba virando dinheiro na cidade. O grão deve despejar cerca de R$ 233 milhões em Cruz Alta, R$ 201 milhões em Júlio de Castilhos e R$ 378 milhões em Tupanciretã, levando em consideração a produtividade média estimada para esta colheita, de cerca de 3 mil quilos por hectare, e o preço médio da saca em torno de R$ 54.
    Em Cruz Alta, o setor de construção civil nunca esteve tão aquecido. Atualmente, ao menos oito prédios estão sendo erguidos na cidade. Para Ana Luiza Cattaneo, uma das proprietárias da Construtora Cattaneo, a riqueza produzida pela cultura do grão é fundamental para o desempenho do setor.
    Empreendimentos chegaram a ter a data de lançamento adiada por causa do desempenho do campo. Um edifício residencial de alto padrão, que seria lançado em 2012, teve o cronograma ajustado para 2013 por causa da estiagem do ano passado.
    – Pelo menos 30% de nossos compradores são ligados ao agronegócio – informa Ana Luiza.

  • Mais do que um efeito psicológico

    A máxima de que quando o campo vai bem, a economia acompanha o ritmo – e vice-versa – começa a se confirmar nas grandes regiões produtoras de grãos do Estado. Com a colheita da soja se encaminhando para o fim – já foi concluída em 90% da área estimada para este ano segundo dados da Emater –, os bons resultados se consolidam nas lavouras e se convertem em negócios na cidade. É o que mostra a reportagem do repórter Leandro Belles (veja ao lado), com foco nas cidades de Tupanciretã, Cruz Alta e Júlio de Castilhos.
    Somente a venda da soja deve gerar faturamento de R$ 12,3 bilhões, de acordo com a assessoria econômica da Federação da Agricultura do Estado (Farsul). O dinheiro movimentado pelo setor também terá peso significativo no crescimento de 6,37% estimado para o PIB gaúcho neste ano.
    E se engana quem pensa que o desempenho da safra demora a dar sinal. O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), Vitor Augusto Koch, afirma que quando a agricultura tem um bom desempenho, os resultados no comércio aparecem, no máximo, em 90 dias.
    Muito antes disso, porém, o efeito psicológico das boas projeções de clima e safra também aparecem, garante Koch. Tanto para o bem, quanto para o mal. No ano passado, tão logo a seca surgiu no horizonte da produção, o comércio começou a sentir o baque.
    – Quando há notícia de quebra, as pessoas param de cumprir com os compromissos financeiros – explica.
    Da mesma forma, o sinal de uma colheita farta estimula as compras. Alimentação, móveis, eletrodomésticos e vestuário são beneficiados nesta esteira positiva. Mas cautela e prudência seguem sendo as melhores conselheiras na hora de controlar os gastos. Porque ninguém quer encerrar um ano de safra recorde no vermelho.

  • Mais recursos próprios em aquisições e investimentos

    Quem passou nesta semana pela Agrishow, em Ribeirão Preto (SP), pode sentir o bom momento vivido pelo agronegócio. Em meio à poeira que levanta da terra vermelha, típica da região paulista, cerca de 150 mil visitantes lotaram estandes de máquinas e implementos agrícolas. O volume de negócios é estimado em R$ 2,5 bilhões.
    – Há 10 anos, se financiava a safra com 5% de recursos próprios. Hoje, 50% das lavouras são custeadas com dinheiro do bolso do agricultor – diz Maurílio Biagi Filho, presidente da 20ª edição da feira.

  • Tratores gaúchos com parceria internacional

    Depois de um ano e meio de tratativas, a gaúcha Stara anunciou na Agrishow a parceria com a fabricante italiana Argo Tractors e estreará na produção de máquinas agrícolas. Segundo Gilson Trennepohl, presidente da indústria de implementos agrícolas com sede em Não-me-Toque, a empresa produzirá no Rio Grande do Sul tratores da linha McCormick. O foco será o mercado brasileiro e a América Latina.
    Para isso, uma nova unidade fabril está sendo erguida do norte do Estado, com investimento estimado em R$ 200 milhões.
    A previsão é de que sejam produzidas cerca de 7 mil unidades anuais. Em troca, a fabricante europeia utilizará tecnologia nacional na área de agricultura de precisão para equipar seus veículos.

  • Curtas

    O Ministério da Integração Nacional vai elaborar um plano de Irrigação, com o objetivo de identificar áreas e culturas com potencial de irrigação. O documento será ferramenta para a implementação da Política Nacional de Irrigação, aprovada neste ano pelo Congresso e sancionada pela presidente Dilma Rousseff.
    Os dois leilões realizados ontem pela Conab fecharam com a venda de 39,96 mil toneladas de trigo. O objetivo era abastecer a demanda das indústrias moageiras. As 32,04 mil toneladas que sobraram serão colocadas novamente em oferta dentro de 15 dias.
    As exportações de carne de frango in natura em abril tiveram alta em volume e receita. A receita cambial aumentou 20,8%, passando de US$ 560,9 milhões para US$ 677,6 milhões.
    *Colaboraram Joana Colussi, Leandro Belles e Vagner Benites

Fonte: Zero Hora

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