INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • Demora chinesa que inquieta

    Principal compradora de soja do Brasil, a China tem demorado para dar ao país uma resposta sobre a liberação de tecnologias desenvolvidas na área de sementes. O caso mais emblemático é o da segunda geração de soja transgênica da Monsanto, a Intacta RR2, que ainda aguarda o aval dos asiáticos para entrar no mercado.
    Outras novas tecnologias brasileiras – três de soja e uma de milho – também estão na fila de espera, assim como 19 variedades do grão de diferentes partes do mundo, segundo Glauber Silveira, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja). Tal lentidão motivou, há duas semanas, uma visita da entidade a Pequim – da qual também participou o senador Blairo Maggi – um grande próprio produtor do grão. Agora, o assunto entrará também na pauta do ministro da Agricultura, Antônio Andrade, que embarca no sábado para a China.
    Tal mobilização se justifica pelo peso do comprador. De janeiro a março, como mostram dados do Ministério do Desenvolvimento, os chineses responderam por 73% do valor total do grão vendido no período.
    Só de RR2 há uma quantidade de semente suficiente para plantar mais de 2 milhões de hectares – cerca de 10% da área cultivada no país.
    Controvérsias quanto ao uso da biotecnologia à parte, essa espera tem um efeito negativo para a produção brasileira. No ano passado, a expectativa de aprovação da RR2 a tempo do ciclo 2012/2013 acabou frustrada.
    A Aprosoja recomendou aos produtores que não plantassem comercialmente as sementes “para não contaminar as lavouras”, como lembra Ireneu Orth, presidente da Aprosoja-RS. A contaminação poderia levar à devolução da carga por parte dos chineses.
    Se o sinal verde não chegar a tempo do próximo ciclo, a entidade deve repetir a recomendação para que o plantio com essas sementes não seja feito.
    – Ficou claro que se encontrarem navio com tecnologia não aprovada, mandarão de volta – diz Silveira.
    É aí que a coisa se complica. Porque fica difícil monitorar cada um dos produtores em cada canto do país.

  • Ginásio esportivo é lugar de… soja!

    O aumento da produção e as dificuldades enfrentadas pela Cotrijui levaram a uma situação inusitada em São Francisco de Assis, na Fronteira Oeste. Para dar conta da armazenagem de 450 mil sacas de soja, uma cerealista teve de recorrer ao ginásio construído pela prefeitura (foto acima).
    No armazém improvisado, foram colocadas 30 mil sacas de soja a granel. A proprietária diz que foi a alternativa para solucionar o problema – já que a empresa tem capacidade para receber 150 mil sacas:
    – Agilizamos as remessas para o porto de Rio Grande, alugando espaços e recuperando silos que não eram usados para atender à demanda.
    Devido aos problemas financeiros enfrentados pela Cotrijui, muitos produtores ficaram receosos de depositar grãos na unidade da cidade. O município dobrou a área cultivada em três anos – hoje 30 mil hectares – e deve colher 1,4 milhão de sacas de soja.

  • Tecnologias a toda prova

    Expostas nos estandes, as máquinas ficam imponentes e despertam a atenção, mas o que seduz mesmo os produtores rurais é vê-las funcionando no campo. Não é a toa que a demonstração de equipamentos tem sido espaço disputado na Agrishow 2013, em Ribeirão Preto (SP).
    As lavouras foram preparadas há seis meses para que os produtores assistissem até sexta-feira a 600 simulações do uso de tratores, colheitadeiras e irrigadores. Ontem, a feira teve um público de mais de 35 mil pessoas, segundo dados da organização do evento.

  • A prevenção já entrou em campo

    Foi na propriedade de Alberto Graeff, 36 anos (foto), e Eduardo Anastasi, 43 anos, em Cristal, na região sul, que o Estado deu início à primeira etapa da vacinação contra a febre aftosa. O governador em exercício, Beto Grill, abriu ontem a campanha que tem como objetivo imunizar o rebanho de 13,3 milhões bovinos e bubalinos.
    A vacinação é obrigatória e, a partir de ontem, a multa passou a ser de 60 Unidades Padrão Fiscal (UPF) por produtor, mais uma UPF por animal não vacinado. O valor da UPF é de R$ 13, 74.
    Colaboraram Joana Colussi, Júlia Otero e Leandro Belles

Fonte: Zero Hora

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