INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

Panfleto à mão para convencer

As propostas para o leite ganham hoje a condição de protagonistas na audiência pública que será realizada na Comissão de Agricultura da Assembleia. O debate promete esquentar e segue movimentando os bastidores. Munidos com folderes, as correntes pró e contra tentam ganhar aliados.
O sistema Ocergs/Sescoop publicou uma cartilha, na qual esclarece os pontos referentes tanto ao projeto de lei que cria o Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite (Prodeleite) quanto à proposta do Fundo de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva do Leite (Fundoleite). O documento traz números que justificam a relevância e a necessidade de organização do setor. São mais de 125 mil famílias dedicadas à produção de leite no Estado, 93% de agricultores familiares, 160 indústrias e uma capacidade ociosa de 40%. O documento também tem uma seção de perguntas e respostas, em que tenta desfazer dúvidas, entre as quais a de se há risco do dinheiro do fundo ir parar no caixa único do Estado.
– O fundo tem um gatilho automático, que obriga o repasse de 98% dos valores recolhidos para o Instituto Gaúcho do Leite, uma entidade privada – observa Vergilio Perius, presidente do Sistema Ocergs/Sescoop.
O dirigente diz que a adesão às propostas se deu pelo entendimento de que organizará a cadeia.
Por outro lado, o Conseleite, órgão paritário de produtores e indústria, também divulgou um informativo, no qual traz 10 pontos referentes às propostas. Uma das questões levantadas é justamente a da contribuição a ser cobrada para a formação do fundo. Ainda há uma crítica quanto à falta de discussão do Prodeleite.
– Há uma contrariedade a um novo tributo, porque a cadeia já tem uma carga demasiada. Isso vai majorar os preços – argumenta Jorge Rodrigues, presidente da Comissão de Leite da Farsul e vice-presidente do Conseleite.
Por ora, o pedido feito ao governador na terça-feira para retirar o regime de urgência dos projetos de lei que estão na Assembleia não tem resposta.

 

Boas vendas da carne brasileira

Apesar dos embargos que ainda persistem, o Brasil segue colhendo bons resultados nas exportações de carne bovina. Levantamento divulgado ontem pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), mostra que o Brasil está cada vez mais próximo de fechar o ano com a histórica receita de mais de US$ 6 bilhões.
Pelo quarto mês seguido, os embarques bateram recordes tanto em volume quanto em faturamento. Em outubro, foram negociadas 147,8 mil toneladas do produto, somando US$ 659,5 milhões.
No topo da lista dos maiores compradores está Honk Kong, que desbancou o tradicional mercado russo da primeira posição.

 

O trigo não é o vilão

Principal ingrediente da farinha, o trigo tem sido apontado como responsável pelas altas acumuladas em produtos como o pão francês. Foi também com o argumento de aliviar a pressão sobre a inflação provocada por esse aumento que o governo manteve a isenção da Tarifa Externa Comum, cobrada para países de fora do Mercosul.
Estudo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), porém, tira o trigo da condição de vilão. Utilizando três argumentos diferentes, o levantamento mostra que o peso da valorização do grão existe, mas é superdimensionado.
– Testamos essa ideia de que o trigo tem relação com o preço final do pão ao consumidor – explica o economista-chefe da entidade, Antonio da Luz.
O primeiro argumento mostra que o trigo responde por 14% sobre o preço final do pão francês – considerando o valor médio do quilo, no mês de setembro. Os outros 86% vem de itens como mão de obra, aluguel, impostos e logística.
No segundo argumento, que mede a influência dos derivados do trigo no IPCA, a conclusão é de que têm impacto de 3,7%. No terceiro, foram usados modelos matemáticos, comparando o preço do pão de março de 2002 a setembro deste ano. A correlação entre os valores do trigo e do pão foi considerada muito baixa.
– Quem não quiser olhar a questão técnica pode fazer a conta indo a uma padaria. Nos últimos 15 dias, o preço da saca do trigo caiu 12%. E o do pão? – questiona Luz.

 

De janeiro a outubro, a receita das exportações de carne bovina brasileira totalizou US$ 5,44 bilhões, segundo dados da Abiec. O volume embarcado foi de 1,2 milhão de toneladas.

Rússia deu sinal verde para a importação de carne bovina de três frigoríficos brasileiros. Nenhum deles, porém, fica no Estado.

Fonte : Zero Hora

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