INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

  • Uma indefinição perigosa

    Depois da pressão feita por agricultores em Brasília na semana passada, veio a decisão que, por ora, suspende a demarcação de terras na área reivindicada por índios em Sananduva e Cacique Doble, no norte do Estado. O próximo passo será a criação de uma mesa de diálogo, que terá a difícil missão de tentar encontrar uma solução justa para essa delicada questão. Para que o desfecho seja o melhor possível, além do Ministério da Justiça, irão participar das discussões integrantes da Funai, dos índios, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e dos produtores.
    – Cada parte tem sua razão. O problema são laudos que não traduzem a realidade – afirma o presidente da Federação da Agricultura do Estado, Carlos Sperotto.
    A presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, é aguardada com ansiedade no Rio Grande do Sul. No mês passado, a visita dele acabou sendo adiada. Agora, o ministro já disse que virá ao Estado para instalar a mesa de diálogo, embora a data ainda não tenha sido definida. Uma das possibilidades é de que seja na próxima segunda-feira, dia 18.
    Enquanto isso, produtores e índios se veem às voltas com uma indefinição que tensiona a relação, como mostra reportagem de hoje na página 37. Apesar de terem em mãos as escrituras que atestam a propriedade das terras, as 110 famílias de agricultores que vivem no local em questão já não sabem mais se devem continuar investindo. São pequenos produtores, com áreas de tamanho médio de 12 hectares.
    – Há um sentimento de impotência. Ficamos esperando uma definição do governo e de setores que têm essa responsabilidade. O Estado brasileiro está ausente no que diz respeito a trabalhar a paz nesses locais – observa Sidimar Luiz Lavandoski, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de Sananduva.

  • Soja na terra da uva

    O avanço ainda é tímido na região, mas a soja também começa a ganhar espaço na Serra, tradicional reduto de uva no Estado. A área cultivada com o grão deve ser 1,62% maior do que no ano passado.
    – Deverá haver incremento de área nova onde existem campos – diz João Villa, assistente técnico regional da Emater de Caxias do Sul.
    O crescimento também se dá sobre áreas do milho, que está menos valorizado. Em Montauri, onde são cultivados cerca de mil hectares de soja, a família de Ademar Pasqualotto irá ampliar a lavoura em 20%.
    O estímulo veio dos resultados da safra passada. Ele, o pai e o irmão colheram 237,6 mil quilos, em 55 hectares. O rendimento médio foi de 4,32 mil quilos por hectare (acima da média do Estado, de 2,69 mil quilos por hectare).
    A família sempre cultivou o grão, mas foi na década de 1990, quando passou a usar o plantio direto, que o desempenho melhorou. Atualmente, os Pasqualotto investem ainda em adubação e correção do solo.
    Mesmo que não seja a cultura agrícola predominante na Serra em número de produtores, a soja ocupa o primeiro lugar em extensão: quase 200 mil hectares numa abrangência de 48 municípios. As maiores áreas da região estão nos municípios de Muitos Capões e Vacaria.

  • Que marca tomar?

    Diante de mais uma operação que detectou irregularidades no leite, escolher o produto se revela uma tarefa cada vez mais difícil para o consumidor. Tanto que um leitor questiona: qual marca devo consumir?
    À pergunta, o superintendente estadual do Ministério da Agricultura, Francisco Signor responde:
    – Todo leite com inspeção estadual ou federal está apto para o consumo.
    A resposta, porém, não facilita a vida do consumidor, porque na primeira fase da operação Leite Compen$ado lotes com conteúdo adulterado – e o carimbo de inspeção – tiveram de ser recolhidos das prateleiras dos supermercados.
    O superintendente garante que os problemas estão sendo detectados justamente porque o trabalho de fiscalização está sendo feito.

  • Sem ruídos

    Sobre o fato de não ter sido avisado da operação Leite Compen$ado, desencadeada na última quinta-feira em Três de Maio, no noroeste do Estado, o superintendente do Ministério da Agricultura, Francisco Signor, afirma não ver problema algum:
    – O Ministério Público não tem de me dar satisfações. O papel deles é o de investigar.
    Aliás, o superintendente contesta a versão de que esteja em crise com o MP.

  • Lições no outro lado do planeta

    Com o olhar atento para toda e qualquer técnica que possa ser aplicada aqui no Estado, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS) segue nesta semana missão iniciada em terras estrangeiras. Depois de passar pela Austrália, o grupo, formado por 13 produtores gaúchos, representantes de sindicatos rurais e pelo superintendente Gilmar Tietböhl, desembarca na Nova Zelândia.
    – Intercâmbios como esse contribuem significativamente para a melhoria das ações de qualificação profissional do Senar – afirma Tietböhl.

  • O abigeato será tema hoje de uma audiência pública da Comissão de Agricultura da Assembleia. O evento será realizado na Câmara de Vereadores de Lavras do Sul e irá abordar também os prejuízos causados pelos javalis na região.

    Fonte : Zero Hora | Colaborou Silvana de Castro

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