INFORME RURAL | GISELE LOEBLEIN

 

  • A indústria gaúcha quer milho

    Fundamental para a produção de aves e suínos, o milho tem sido, reiteradamente, um problema para a indústria gaúcha. Nossa demanda é superior à colheita no Estado, o que nos força a buscar o produto em outros pontos do país. No ano passado, a quebra da produção causada pela seca agravou ainda mais a situação, causando uma grave crise.
    Neste ano, a safra foi boa, mas ainda assim serão necessárias entre 1 milhão e 1,5 milhão de toneladas de outros Estados para atender a necessidade. O problema é que essa equação traz um custo adicional, sobretudo com o valor a ser pago pelo frete. Para trazer milho de Mato Grosso, paga-se de R$ 16 a R$ 18 pelo transporte – mais do que o valor da própria saca comprada por lá.
    Segundo a Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), a alta no custo de produção de aves nos últimos seis meses aqui no Estado fica entre 15% e 20%. Conforme José Eduardo dos Santos, diretor-executivo da entidade, com esse impacto, não há como não repassar a diferença para o consumidor.
    Preocupados com esse cenário, Asgav, Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado, Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do Estado (Sips) e Associação Sul Brasileira da Indústria de Produtos Suínos estão solicitando ao secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Neri Geller, que o Rio Grande do Sul seja incluído nos leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor (Pepro) – até agora isso ocorreu em apenas uma oportunidade, quando foram ofertadas 550 mil toneladas. A iniciativa ajuda a viabilizar a chegada do produto.
    – Estamos avançando para um período em que a oferta do suprimento fica mais ajustada – alerta Rogério Kerber, diretor-executivo do Sips.
    A aposta no potencial do trigo ultrapassa os limites do campo. A Biotrigo, empresa de Passo Fundo que trabalha com desenvolvimento de cultivares, já investiu R$ 10 milhões na construção de uma estação experimental. A área, de 14 hectares, permitirá a ampliação das plantas e do laboratório (no detalhe, projeto da fachada). A mudança para o novo espaço está prevista para janeiro de 2014. A obra deve ser completamente concluída em dois anos.
    – Seguimos fazendo pesquisa porque acreditamos que há espaço para o trigo – afirma André Cunha Rosa, sócio-diretor da empresa.
    Com 11 cultivares em seu portfólio, a Biotrigo está fazendo lançamentos nos Estados Unidos e na Argentina. No mercado do sul do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, 99% das variedades são de trigo tipo pão.
    Sobre a produção que está sendo colhida no Estado, André projeta um ano de produtividades recordes, com 4,2 mil quilos por hectare, podendo chegar a 5 mil quilos por hectare em algumas propriedades (a média estadual, conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento, é de 2,5 mil quilos por hectare).
    – Enxergo esse como um momento dourado, de ganhar dinheiro com o trigo – completa André.

  • Futuro da Emater em jogo

    A Emater irá recorrer da decisão da 1ª Vara Federal Tributária que derrubou a liminar que garantia a filantropia à entidade. Também foi determinada a extinção da ação popular. Na próxima segunda-feira, os autores da ação devem se reunir na Assembleia para tratar do assunto.
    Como a filantropia isenta o recolhimento de contribuição previdenciária, a perda do benefício implicaria no pagamento de cerca de R$ 2 bilhões.
    A quantia é bem superior aos R$ 240 milhões de orçamento anual e aos R$ 30 milhões de patrimônio da entidade.
    Com uma média de crescimento anual de 20% a 25%, a carteira de crédito rural do Sicredi chegou à marca de
    R$ 10 bilhões,
    em outubro deste ano.

  • E por falar em trigo…

    Representantes de entidades de produtores se mobilizam para que o governo suspenda a autorização para importação de cota adicional de 600 mil toneladas de trigo com isenção da Tarifa Externa Comum. Ontem, o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Carlos Sperotto, e o presidente da Federação de Agricultura do Paraná, Ágide Meneguette, se encontraram com o ministro da Agricultura.
    Antônio Andrade deve emitir uma nota técnica, pedindo para o desembarque do grão seja feito em portos do Nordeste, evitando concorrência direta com o trigo que está sendo colhido no Sul.
    Levantamento divulgado ontem pela Emater mostra que o tempo bom registrado nesta semana fez a colheita do trigo no Estado avançar, chegando a
    20%
    do total da área cultivada.
    Deve ser protocolado hoje na Assembleia Legislativa a nova versão do projeto de lei que trata sobre o Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.

Fonte: Zero Hora

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