Indústrias podem reduzir até 30% a produção de frango do RS e cogitam férias coletivas

Alerta vem da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e reflete aumento expressivo nos custos

24/02/2021 – 15h17minAtualizada em 24/02/2021 – 15h46min

GISELE LOEBLEIN

Tadeu Vilani / Agencia RBS

Componentes da ração animal, milho e soja tiveram, em 12 meses, alta de 101,8% e de 61,2% nos preços do mercado internoTadeu Vilani / Agencia RBS

Uma das alternativas mais em conta na escala das proteínas animais, a carne de frango poderá ficar mais cara daqui para a frente. A projeção vem da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), membro da Organização Avícola do Estado, e leva em consideração a informação de associadas que prometem reduzir entre 15% e 30% a produção. Decisão tomada em uma tentativa de diluir os custos, impulsionados por insumos como milho e soja. Presidente-executivo da entidade, José Eduardo dos Santos diz que já há empresas cogitando até férias coletivas por causa da situação:

— É de janeiro para cá que vem sendo sentido o real impacto do milho negociado a R$ 85 reais. No final do ano passado, já se trabalhou com perspectiva de redução de 10% na produção. Não foi uniforme porque ainda tinha muitas empresas com milho comprado anteriormente. Ali tinham um pouco mais de oxigênio.

Nos últimos 12 meses, ingredientes fundamentais da ração dos animais tiveram altas expressivas no mercado interno.  A soja subiu 101,8% e o milho, 61,2%, conforme levantamento da Cogo Inteligência em Agronegócio. Santos relata que, em média, o prejuízo das empresas tem sido entre R$ 1,2 a R$ 2 por quilo de frango produzido. O setor já esteve reunido com o Ministério da Agricultura em duas ocasiões. Entre as solicitações estão o aval para importação de milho dos EUA, isenção de PIS/Cofins e autorização, via Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, de novas variedades transgênicas já disponíveis em outros países.

— A importação é uma medida de contingenciamento. Ou fazemos isso agora ou vamos enfrentar consequências ali na frente — projeta o presidente-executivo da Asgav.

Preços mais caros do produto final, em razão da diminuição da oferta, são resultados que podem aparecer em seguida. Há ainda o chamado efeito cascata, com a redução da quantidade de embalagens a serem utilizadas e de insumos.

A pressão neste momento, garante o dirigente, reflete o cenário atual. A estiagem registrada em meio à primavera provocou prejuízos e redução no volume do milho produzido no Rio Grande do Sul, agravando o quadro que, mesmo em ano de safra cheia, é de déficit.

Fonte: Zero Hora

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