Indústrias aprimoram a gestão do uso de água

Carol Carquejeiro/Valor / Carol Carquejeiro/Valor
Ricardo Rolim: parcerias para melhorar gestão da água em áreas de cultivo

Maior produtora de papéis reciclados do país, a Klabin vivencia um contraste no gerenciamento do uso de água. Enquanto a unidade de negócio de papel trabalha com o benchmark mundial de 30 a 50 m3 de água consumida no processo industrial por tonelada de papel produzido (m3 /ton), o gasto médio no papel de embalagens cai para 0,5 a 0,7 m3 /ton. "Trabalhamos para superar benchmark na fabricação do papel", afirma o engenheiro Elder Dettenbon, um dos quatro profissionais que acompanham a gestão ambiental das 18 fábricas da companhia, cada qual com sua própria gerência ambiental.

Investimentos na ultra filtração dos efluentes da lavagem de celulose, cita ele, permitiram que o efluente tratado retornasse à produção, num circuito fechado em que a mesma água passa pelas caldeiras e torres de resfriamento.

Seguindo modelo de gestão hoje comum em diferentes setores industriais, a redução do consumo de água é item obrigatório nas metas ambientais definidas para cada unidade de negócio e cada setor da Klabin. O acompanhamento central permite rever planos de ação quando se percebem metas fora do alcance. Por outro lado, Dettenbon conta que as unidades compartilham boas soluções, como a criação de uma cola feita com resíduos de um efluente, que hoje sela caixas que transportam os produtos fabricados.

O consumo de água é indicador essencial na gestão ambiental, concorda Júlio Nogueira, gerente corporativo de meio ambiente Klabin. A companhia, diz ele, investe mais de R$ 50 milhões anuais no conjunto de ações ambientais. No quesito água, alcançou média de 42,9 m3 /ton em 2009, índice que baixou para 40,04 m3 /ton em 2011 e 38 m3 /ton no início de 2013. "Acabamos de alcançar o número de excelência de 28 m3 /ton na unidade de Santa Catarina, após investirmos R$ 2 milhões num novo circuito de refrigeração", comemora.

Para Nogueira, o baixo custo da água no Brasil é um obstáculo a ações de empresas que pensarem somente no retorno financeiro dos investimentos. Hoje, a cobrança pelo uso da água se limita a algumas bacias hidrográficas, com valor ainda baixo, informa o professor Ivanildo Hespanhol, da Escola Politécnica da USP e diretor do Centro Internacional de Referência em Reúso de Água (Cirra).

Mesmo assim, a introdução da obrigatoriedade de outorgas – tanto para captação, como para lançamento de água nos cursos d’água -, e a cobrança pelo uso introduzidas em 1997 com a Lei das Águas (Lei 9.433), já mudaram a visão das indústrias, que passaram a tratar água como bem econômico. "As indústrias estão mais preparadas para o aumento da cobrança, que vai acontecer", diz o diretor do Cirra, interpretando como significativos os investimentos em programas de conservação e reúso de águas já realizados e que, segundo ele, trouxeram reduções de consumo da ordem de 40% a 80%.

Com operações em 14 países das Américas, a Ambev anuncia hoje para seus mais de 44 mil funcionários sete novas metas para reduzir o consumo de água no processo industrial. Após ter baixado o consumo de 4,37 para 3,9 hectolitros de água por hectolitro de cerveja produzida (HL/HL) de 2004 a 2009, e ter comemorado a marca dos 3,5 HL/HL em 2012, buscará o novo recorde de 3,2 HL/HL em três anos. Além disso, vai trabalhar em parceria com agentes locais para melhorar a gestão da água nas regiões de cultivo de cevada, e participar junto a parceiros de medidas de proteção de mananciais onde há escassez de água.

Segundo Ricardo Rolim, diretor de relações socioambientais da Ambev, as metas são um desafio cada vez mais difícil dado o histórico de investimentos em ações de ecoeficiência, equipamentos economizadores de água e processos que garantam o ciclo fechado de água nas indústrias do grupo, além da estratégia de recursos humanos, que deve continuar.

© 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico.
Leia mais em:

http://www.valor.com.br/empresas/3149694/industrias-aprimoram-gestao-do-uso-de-agua#ixzz2VLP7ZW00

Fonte: Valor | Por Silvia Czapski | Para o Valor, de São Paulo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *