Indústria vira alvo de operação

MINISTÉRIO PÚBLICO PRENDE dois proprietários de laticínios que acrescentavam bicarbonato, água oxigenada e soda para aproveitar alimento que deveria ser descartado
O diálogo a seguir mostra como a prática de adulterar leite no Estado passou a ser tratada com banalidade.
– Cara, peróxido (popular água oxigenada) mata alguém?
– Não.
Obtida com autorização judicial pelo Ministério Público Estadual (MP), a conversa telefônica entre o empresário Ércio Vanor Klein, proprietário da marca de leite Pavlat, e um funcionário mostra que o ganho a qualquer preço estava acima da preocupação com as leis ou o consumidor.
Ontem, quando completou um ano do primeiro escândalo que manchou o produto gaúcho, outras três pessoas foram presas no Vale do Taquari. Dessa vez, as prisões chegaram onde o leite e derivados são processados antes do consumo: nas indústrias.
Além de Klein, proprietário da Pavlat, de Paverama, aquinta etapa da Operação Leite Compen$ado resultou na prisão do dono da Hollmann Laticínios, Sérgio Seewald, e de seu funcionário Jonatas William Krombauer.Os três foram encaminhados aos presídios de Lajeado e Arroio do Meio.
Seewald é reincidente em casos de fraude. Em 2006, foi condenado pela Justiça por adulterar o alimento com soro, quando era responsável químico da Nutrilat. Acabou absolvido em segunda instância. À frente da Hollmann, já teve derivados de leite retirados do mercado sob suspeita de má qualidade no ano passado.
Conforme investigações do MP, os empresários e o funcionário sabiam que cargas com leite deteriorado eram maquiadas com substâncias químicas como soda cáustica, bicarbonato de sódio e água oxigenada.
CRONOGRAMA NÃO É ALTERADO AINDA
A prisão de dois donos de laticínios aponta para uma nova fase da operação. Enquanto as ofensivas anteriores levaram para trás das grades apenas intermediários, como transportadores, agora é a indústria que concentra as atenções
Esta quinta etapa é consideradaum recado claro para as empresas: mesmo nos casos sem envolvimento deliberado na adulteração, chegou a hora de a indústria entender que o alvo mudou e há a necessidade de maior colaboração para higienizar o setor, avisa o MP
– Sabíamos da conivência e da aceitação da indústria para ajustar o leite. Agora, estamos mostrando que indústrias receberam este leite de má qualidade – afirmou o promotor de Justiça Mauro Rockenbach, à frente da operação realizada com apoio do Ministério da Agricultura, da Receita Federal e da Brigada Militar.
Com pelo menos mais duas ações pela frente, Rockenbach avalia ter chegado o momento de sentar com os empresários e discutir medidas práticas para acabar com a fraude. Para o promotor, as maioresindústrias de laticínios do Estado estavam no mínimo passivas demais, colocando-se como vítimas da fraude e deixando de apontar e expurgar fraudadores. MP e indústria articulam um encontro nos próximos dias para começar a acertar os ponteiros.
O MP calcula que ao menos 1 milhão de litros da bebida (equivalente a 10% da produção diária no Estado) fora das normas de qualidade foram processados pelas indústrias Pavlat e Hollmann. O volume impróprio para consumo foi detectado em 91 laudos laboratoriais feitos pela Univates

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Fonte: Zero Hora |

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