Indústria gaúcha deve seguir em recuperação

Taxa de crescimento do setor no Estado é superior à média nacional

Bastante confiante de que 2020 repetirá o desempenho positivo verificado em 2019, a indústria gaúcha vem dando sinais de recuperação acima da média nacional nos últimos anos. A expectativa da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) é de que a produção do setor tenha fechado o ano de 2019 com alta de 3,1%, puxada principalmente pela produção de veículos automotores.

Já em 2020, a projeção de alta na produção gaúcha gira em torno de 2% e, na brasileira, de 2,5%.

O setor industrial gaúcho apresenta taxa de crescimento superior à média nacional.

"Andando de lado" desde 2017, ano em que havia iniciado uma trajetória de recuperação, a produção industrial brasileira apresentou queda da produção em 2019 em relação a 2018, frustrando a previsão otimista.

Estagnada desde o último trimestre de 2018, o desempenho anual da indústria nacional em 2019 até setembro, relativamente ao mesmo período do ano anterior, foi quase todo inercial. A produção brasileira caiu 1,4% no acumulado do ano até setembro e deve melhorar na ponta devido às comparações com bases menores do final de 2018, ficando mais perto de sua herança estatística (-0,6%) do mesmo ano. Essa queda foi puxada pela produção de bens intermediários e pelo setor extrativo, além da concorrência das importações e da redução nas exportações.

Na contramão, a indústria gaúcha tem desempenho setorial mais favorável que o brasileiro demonstrando avanço de 4,3% no acumulado de janeiro a setembro de 2019 ante o mesmo período de 2018 e deve desacelerar para um patamar próximo de seu carregamento estatístico (alta de 3,2% no acumulado do ano).

De acordo com o presidente da Fiergs, Gilberto Petry, o choque de curto prazo provocado

pela greve dos caminhoneiros e pelo aumento do frete teve um efeito paradoxal no Estado com um aumento intenso na produção de veículos automotores.

Houve crescimento de 18% entre janeiro e setembro do ano passado, puxado por cabines, carrocerias e reboques, que representam 27,8% da produção gaúcha de veículos automotores.

O aumento de receitas com frete e dos custos incentivou a renovação, a busca por frota própria e o aumento na capacidade de carga das empresas e transportadoras. Já no setor de veículos em nível nacional, o mesmo segmento responde por 6,5% da produção e o quadro foi diferente: a produção caiu 8,3%.

O setor de produtos de metal exerceu a segunda maior influência positiva na produção da indústria gaúcha. Além da demanda doméstica, o setor contou, também, com um aumento das exportações. A produção de couros e calçados cresceu 7,9% em 2019. Além da inauguração de uma nova planta calçadista, o setor reagiu às melhores condições do mercado de trabalho, o que levou a um maior consumo interno, além de uma pequena alta das exportações de calçados.

Já máquinas e equipamentos desaceleraram ao longo do ano. Depois de fechar o primeiro semestre de 2019 crescendo 7,6%, o setor exibe alta de apenas 1,8% na produção até setembro.

Mesmo com o cenário positivo dado pela safra recorde no País, o setor, com grande participação de máquinas e implementos agrícolas, sofreu por causa da restrição de recursos do crédito rural (Plano Safra), que não atendeu à demanda, e da menor exportação para a Argentina.

O resultado deste cenário mais favorável é que o otimismo dos empresários gaúchos aumentou em dezembro. O Índice de Expectativas (IE) para os próximos seis meses é o maior desde março de 2019: 67,7 pontos, bem acima de 50, faixa que expressa otimismo. O Índice de Expectativas da Economia Brasil avançou quatro pontos, atingindo 67,3, o maior desde fevereiro de 2019, que foi de 70,7. O Índice de Expectativas das Empresas subiu 2,5 pontos, para 67,9, o mais alto nível desde março de 2019 (68,4).

O Índice de Confiança do Empresário Industrial gaúcho (Icei-RS), realizado pela Fiergs, aponta que a confiança da indústria gaúcha – que, na maior parte do ano, foi sustentada pelo componente de expectativas -, nos últimos dois meses, passou também a contar com a melhora consistente das condições atuais. Quase metade (48,1%) das empresas percebe melhora na economia brasileira.

A parcela que não vê mudanças é de 46,1% e a que percebe piora, de 5,8%.

Fonte: Jornal do Comércio

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