Incêndio gera temor no mercado de açúcar

O incêndio que atingiu o terminal de terminal de açúcar da Copersucar na manhã de sexta-feira no porto de Santos, no litoral paulista, comprometeu cerca de 180 mil toneladas e gerou incertezas no mercado quanto ao fluxo das exportações do Brasil, maior fornecedor global da commodity, nas próximas semanas.

O incêndio, cujas causas permanecem sob investigação – a hipótese de sabotagem não foi descartada -, foi controlado pelos bombeiros no início da tarde da própria sexta-feira e as operações de rescaldo continuam. As instalações e as cargas armazenadas são protegidas por seguro.

Quatro funcionários ficaram feridos e, segundo informações da Copersucar, "tiveram imediato atendimento médico". A empresa também informou que está desenvolvendo um plano de contingência para suas operações, buscando minimizar os impactos do acidente nos negócios.

O incêndio fez as cotações do açúcar demerara registrarem alta expressiva na bolsa de Nova York. Os contratos futuros do produto chegaram a subir mais de 5% no início da última sessão da semana passada, mas a alta arrefeceu ao longo do dia e, no fim, foi inferior a 3%.

De qualquer forma, será mais um fator "altista" a pesar sobre os preços nos próximos dias. Nas últimas semanas, os reflexos negativos das chuvas sobre a moagem de cana e sobre o teor de açúcar das plantas no Centro-Sul do Brasil já produziram valorizações.

Todos os cinco armazéns da Copersucar (maior trading de açúcar e etanol do mundo) no porto de Santos foram atingidos pelo incêndio, de acordo com dados divulgados pela assessoria de imprensa da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp).

Segundo a Copersucar, a capacidade estática do terminal era de 300 mil toneladas. As 180 mil toneladas que foram comprometidas foram avaliadas por analistas em pelo menos US$ 80 milhões, a preços de sexta-feira.

A assessoria de imprensa da Copersucar explicou que os armazéns da empresa no terminal eram interligados por esteiras, o que pode ter contribuído para que o fogo se alastrasse entre os galpões. Entre os armazéns afetados está uma estrutura nova, inaugurada em junho deste ano a partir de investimentos de aproximadamente R$ 125 milhões.

Entre as temporada 2010/11 e 2012/13, a Copersucar investiu, no total, R$ 668 milhões. Desse montante, R$ 454 milhões foram aplicados em projetos de logística, com destaque para a Logum Logística (etanolduto), que recebeu do grupo cerca de R$ 240 milhões, valor proporcional a sua participação no negócio (24%).

Neste ciclo 2013/14, a Copersucar prevê investir R$ 300 milhões, a maior parte (R$ 110 milhões) nos projetos da Logum. Outros R$ 100 milhões serão aplicados na conclusão da primeira etapa do terminal de etanol de Paulínia (SP). Quando traçou seus objetivos para este ciclo, a companhia esperava um aumento de 16% em sua movimentação de açúcar, para 9,1 milhões de toneladas. Em etanol, a previsão era de um volume de 5,9 bilhões de litros no Brasil, 31% maior que em 2012/13.

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Fonte: Valor | Por Mariana Caetano, Thais Folego e Fernando Lopes | De São Paulo

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