Incertezas rondam a safra gaúcha

Levantamento da Fecoagro recomenda cautela e indica diminuição da margem da agricultura devido à alta de custos

O próximo ano deve ser de cautela nos investimentos devido às incertezas que rondam as lavouras no Rio Grande do Sul. Ao apresentar ontem, na Capital, estudo sobre renda, preços e custos realizado entre os meses de janeiro e outubro, a Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (Fecoagro) previu um cenário positivo para 2014. Mas apontou que gargalos logísticos e problemas pontuais, como a retirada da Tarifa Externa Comum (TEC) e a praga Helicoverpa armigera, podem comer parte da rentabilidade no campo, que já sofreu redução em relação à safra passada devido à gangorra entre preço e custo.

No caso da soja, a expectativa de renda caiu de 71% para 58,56% em 12 meses até outubro, margem que hoje é menor devido ao recente aumento de 8% no diesel nas bombas. O reajuste provocou impacto de 0,5%, elevando de R$ 5,85 para R$ 6,27 o gasto com combustível por hectare.

Outra alta que pode pesar nesta conta é o risco da Helicoverpa. O custo apresentado considera duas aplicações de defensivos, no total de R$ 73,60, mas o presidente da Fecoagro, Rui Polidoro Pinto, explica que, em outros estados, produtores apavorados fizeram até quatro aplicações. No cenário da oleaginosa, com preço estável em R$ 66,00/sc, ainda poderá influenciar negativamente a oferta da América Latina e o tamanho da safra norte-americana.

Os triticultores também recuperaram o fôlego. A rentabilidade ainda é negativa, mas bem melhor que a margem de -18% do ano passado. Contudo, incertezas podem frustrar a expectativa de crescimento da Embrapa. Por causa da TEC zerada, o mercado está parado há 40 dias e não há perspectiva de movimentação antes de fevereiro, quando os moinhos do Norte e Nordeste terminarem com o estoque internalizado, o que encarece o custo de R$ 23,94/sc. Para manter o estoque parado são R$ 0,24 por saca ao mês. ‘Certamente, o tempo de produto parado reduz a rentabilidade’, alerta o superintendente da Fecoagro, Tarcísio Minetto. Embora quase 10% mais alto do que no ano passado, desde outubro, o preço médio ao triticultor caiu de R$ 39,35 para R$ 35,00. Atenta ao quadro, neste mês, a Câmara Setorial encaminhou pedido de aumento do preço mínimo do trigo pão tipo 1, de R$ 531,00/t para R$ 635,00/t.

No milho, com estoque grande no país, o preço caiu 16,94% entre janeiro e outubro na comparação com o mesmo período do ano passado para R$ 23,00 a saca, valor que, neste mês, já desceu para R$ 22,00. Em contrapartida, o custo aumentou 5,88%. A saca comprada no Centro-Oeste já está mais barata do que o frete: são R$ 10,00 contra R$ 14,00 do deslocamento. ‘No geral, a situação financeira pode ser considerada boa. Se a soja se mantiver, será possível fazer investimentos’, citou Tarcísio Minetto.

Fonte: Correio do Povo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *