Incertezas em disputa entre Pequim e Washington mantêm soja sob pressão

Os produtores americanos de soja se dizem "cautelosamente otimistas" em relação ao arrefecimento das disputas comerciais entre os EUA e a China, diante das incertezas sobre as reais condições da trégua anunciada por Donald Trump e Xi Jinping.

É que até agora não apareceu qualquer sinal de que a tarifa de retaliação de 25% imposta por Pequim sobre a entrada da soja americana no mercado chinês será suspensa rapidamente. E empresas processadoras instaladas na China veem pouco interesse em comprar soja americana com sobretaxa, já que nessas condições o grão brasileiro, por exemplo, é mais competitivo.

No comunicado dos Estados Unidos sobre a trégua, Trump anunciou que os chineses vão "retomar imediatamente" a compra de produtos agrícolas americanos. No comunicado chinês, não há qualquer menção sobre isso.

A Associação Americana de Produtores de Soja (ASA) insiste que Washington ponha fim à briga com a China. Alega que nos últimos 40 anos fez um esforço enorme para construir uma boa relação com os chineses. E que, enfim, conseguiu um mercado que em 2017 representou US$ 14 bilhões aos produtores americanos. Com a guerra comercial e os preços mais baixos do grão, o faturamento deverá desabar.

Em análise divulgada ontem, o banco alemão Commerzbank deixou claro que também considerou vaga a extensão do armistício sino-americano. E, justamente por causa das indefinições que cercam o assunto e seus reflexos sobre as cotações, considera provável que os agricultores dos EUA reduzam a área destinada ao plantio de soja na próxima safra (2019/20).

Depois das colheitas recorde nos EUA e no Brasil nas últimas temporadas agrícolas – e da fraca demanda chinesa pela oleaginosa americana -, os preços na bolsa de Chicago estão atualmente cerca de 7% inferiores aos praticados no início do ano.

Ontem, em Chicago, os contratos futuros mais negociados (vencimento em janeiro) fecharam a US$ 9,1175 por bushel, em parte graças a altas registradas na semana passada, que refletiram a expectativa positiva dos investidores em relação ao fim das disputas entre Washington e Pequim.

Nos cálculos do Commerzbank – que também fez previsões para outras commodities (ver infográfico) -, neste quarto trimestre a média ficará em US$ 8,75 por bushel, e esse mesmo patamar deverá ser observado no primeiro trimestre de 2019, até porque no Brasil a colheita poderá bater um novo recorde neste ciclo 2018/19. É só a partir do segundo trimestre do ano que vem que o banco prevê reação – para uma média de US$ 9 por bushel – já em função de sua perspectivas de queda do plantio nos EUA em 2019/20.

Fonte : Valor