Importação chinesa do grão tem forte retração

As importações de soja pela China registraram forte queda em julho após o país asiático impor uma tarifa de 25% sobre a oleaginosa americana. Segundo dados do serviço alfandegário da China, foi registrada a entrada de 8,005 milhões de toneladas de soja nos portos chineses em julho, 21% abaixo de igual período do ano passado e 8% menor que no mês precedente.

No acumulado do ano, as importações chinesas de soja somaram 52,88 milhões de toneladas, uma queda de 3,7% ante o registrado em igual período de 2017, segundo a alfândega da China.

Além da guerra comercial com os EUA, a menor demanda chinesa reflete os elevados estoques do país, que vinha ampliando as compras desde o início do ano, antecipando-se à imposição das tarifas sobre a oleaginosa.

"Como os altos estoques e o baixo dinamismo da demanda estão pressionando as margens dos processadores de soja, é improvável que as importações sejam mais altas nos próximos meses", disse o Commerzbank em nota. A mesma avaliação foi feita pela Capital Economics, que citou ainda os elevados preços no Brasil como mais um desestímulo à demanda chinesa este ano. "Acreditamos que os volumes de importação cairão nos próximos meses em linha com a desaceleração da atividade econômica", apontou a consultoria.

Anda assim, os contratos futuros da soja com vencimento em setembro registraram alta de 4,5 centavos na bolsa de Chicago ontem, cotados a US$ 8,9975 o bushel, refletindo a recente piora nas condições de desenvolvimento das lavouras americanas.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor