Importações chinesas de soja vão cair 10%, diz USDA

Em uma das mais surpreendentes revisões de expectativas dos últimos anos no mercado global de soja, o escritório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) na China reduziu em 9 milhões de toneladas sua estimativa para as importações totais do país asiático nesta safra 2018/19. O volume previsto caiu de 94 milhões para 85 milhões de toneladas do grão, 10% a menos do que na temporada 2017/18.

Em relatório, o USDA credita o "ajuste" não só às disputas comerciais entre Washington e Pequim – desde junho, a soja americana paga uma tarifa adicional de 25% para entrar na China -, mas também à proliferação de casos de peste suína africana em território chinês, que já superam 50 (200 mil animais sacrificados) e tende a reduzir a demanda por rações. E, nesse contexto de guerra comercial e crise sanitária, a expectativa é que os chineses utilizem menos soja e mais canola nas rações que chegarão ao mercado.

"Também estamos observando o governo [chinês] se desfazer dos estoque locais. Foram 19 leilões desde 24 de outubro, que contabilizaram o comércio de 1,92 milhão de toneladas", informou o USDA. O órgão considera que a taxa adicional não inviabilizou a soja americana, que continua competitiva, mas diz que "os importadores não estão dispostos a correr o risco de enfrentar barreiras administrativas às importações e também são cautelosos sobre como o governo pode perceber a decisão de comprar soja americana durante a disputa comercial".

Conforme o USDA, a demanda chinesa por soja em grão para esmagamento e produção de farelo e óleo é de 40 milhões de toneladas em 2018/19, e esse volume poderá ser atendido por fornecedores como o Brasil, pela produção nacional, que chegará a cerca de 15 milhões de toneladas, e pelos estoques do governo. E esses estoques continuam um mistério – as estimativas variam de 6 milhões a 8 milhões de toneladas.

Apesar de surpreendente, a revisão de expectativas do USDA não teve impacto nas negociações na bolsa de Chicago ontem. Mas, para analistas, se o órgão estiver correto a tendência no médio prazo é de queda.

Por Fernanda Pressinott | De São Paulo

Fonte : Valor