IMPACTOS DA ESTIAGEM

Calorão causa mortes de aves em Marau

Instalados há quatro anos, os túneis de ventiladores e nebulizadores no aviário dos irmãos Vilmar e Valcir Pasa, na localidade de Linha 25, no interior de Marau, foram insuficientes para aplacar o calor potencializado pela estiagem. Mais de 450 frangos morreram dentro do galpão na quinta-feira da semana passada, quando os termômetros no município alcançaram 35ºC.

A mortandade de aves é uma das consequências do caldeirão de temperaturas em áreas castigadas pela secura que tem arruinado lavouras. Aos Pasa, restou acionar a prefeitura para que abrisse uma vala para enterrar os animais que não suportaram o clima.

– Não tinha como socorrer. Eles agonizaram – conta Vilmar.

A cinco quilômetros da propriedade, o avicultor Divanir Benin também passou pela intempérie. No mesmo dia, recolheu de seu galpão 400 frangos abatidos pelo abafamento.

– Morreram de calor – diz Benin.

Embora reconheça a mortandade como amostra do calorão, o diretor-executivo da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, afirma ser usual a perda de frangos em aviários com baixa tecnologia em dias extremamente quentes. A entidade tem recebido relatos de mortes de aves em diferentes regiões do Estado nos últimos dias, mas ainda não tem levantamento consolidado.

– Pelo calor, a ave perde vontade de comer e acaba sem energia para suportá-lo – explica Santos.

No município de 36,3 mil habitantes no norte gaúcho, os impactos da estiagem se alastram para além dos aviários. Marau estima perdas de 70% nas lavouras de milho, 20% nas de soja e 30% na produção de leite. Ontem, os produtores torciam pela chuva anunciada pela meteorologia, que chegou em baixa quantidade e irregular.

No distrito de Laranjeiras, onde o produtor rural Vagner Sartorelli mantém 40 hectares de milho e soja secos, choveu só dois milímetros.

– Não serviu para nada. Meu milho se foi – lamenta Sartorelli.

Desanimado pela carência de água, o agricultor estima prejuízo quase integral no cultivo do grão. Se no ano passado colheu 197 sacos por hectare, em 2020 estima extrair somente 30. Os pés de soja, que deveriam ter ultrapassado 70 centímetros de altura, mal atingem 40.

Nesta semana, ZH percorreu as cidades de Venâncio Aires, Santa Cruz do Sul, Soledade e Marau para relatar problemas em razão da estiagem no Estado. Outras reportagens feitas no Interior estarão no caderno Campo e Lavoura de ZH deste final de semana.

debora.ely@zerohora.com.br Marau

DÉBORA ELY

Fonte : Zero Hora

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