Impacto das perdas com a seca no Sul chega à economia das cidades

Com a dificuldade dos produtores rurais para pagar contas, taxa de inadimplência cresce

Angela Bem

Foto: Angela Bem / Especial

Produtor rural de Santo Ângelo está com uma divida de R$ 23 mil devido à seca que assolou o Sul do país

A seca que dizimou lavouras no Rio Grande do Sul já começa a causar efeito nas cidades. Com ganhos reduzidos, produtores têm dificuldade para pagar contas e fazem a taxa de inadimplência crescer.

É o caso do município gaúcho de Palmeira das Missões, onde de janeiro a abril a inadimplência cresceu 40% na venda de produtos agropecuários, segundo estimativa da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL). A entidade também aponta alta de 20% na inadimplência no comércio em geral – no país, o Serasa registrou, de fevereiro a março, aumento de 4,9%. Alguns empresários já cogitam demissões. Segundo o Sindicato Rural de Palmeira das Missões, os prejuízos com a seca ultrapassam os R$ 120 milhões, só com a soja.

Em Santo Ângelo, um produtor de 51 anos, que prefere não se identificar, tem uma dívida de R$ 23 mil, entre sementes, insumos e custeio pecuário.

– A minha expectativa era fazer o pagamento com o que ganhasse com a soja e com o leite, mas a soja não deu nada e a produção de leite teve uma queda de 40% com a diminuição da pastagem – desabafa.

Também em Santo Ângelo, Luiz Carlos Dallepiane, 59 anos, presidente do Sindilojas Missões, enfrenta a pior crise em 34 anos de atividade. Levantamento da entidade mostra que de março a abril a inadimplência no município subiu entre 10 e 12%. Segundo a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL), o problema, contudo, está concentrado em cidades das regiões norte e noroeste do Estado, altamente dependentes da agricultura.

Fonte: Ruralbr | ZERO HORA

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