"Impacto da estiagem deve ser leve no bolso", aponta Agas

MARCOS NAGELSTEIN/JC
Longo cobra investimentos do governo na irrigação
Longo cobra investimentos do governo na irrigação

Os supermercados gaúchos estão buscando estratégias para que a estiagem não gere impacto significativo no bolso dos consumidores. Entre elas, manter produtos em oferta nas gôndolas dos estabelecimentos, para evitar que eventuais aumentos de preços causados pela estiagem no Estado afetem as compras. O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Antônio Cesa Longo, afirmou que a variedade de opções e marcas de produtos oriundos de outros estados brasileiros que não sofrem com secas e enchentes garantirá que os estabelecimentos reduzam a inflação para o consumidor final. Renegociar produtos e rever margens de preços com a indústria também estão na lista de estratégias que podem vir a ser usadas pelos empresários, revela Longo.
O dirigente adverte que "esta é uma crise vem se agravando nos últimos quatro anos" e opina que serão necessários investimentos do governo para equipar e capacitar os produtores rurais para a irrigação das lavouras. "O Brasil ainda tem que rever a questão tributária e o Rio Grande do Sul os benefícios e barreiras, porque quando o consumidor busca produtos de fora quem paga a conta são os produtores", disse o dirigente, destacando que os supermercadistas "são solidários" à crise que o setor primário está passando.
Nos próximos dias, não escapam do aumento de preços alimentos como leite e carne de frango, este último devido à alta dos insumos desvinculada da seca, afirma Longo. No caso do leite, ele frisa que o Rio Grande do Sul é o estado que vende o produto pelo preço mais barato em todo o Brasil e que o aumento previsto em 10% poderá ser revertido tão logo volte a chover e as pastagens se regularizem. "Já o frango tem concorrência desleal de outros estados", avalia o dirigente. "O setor avícola gaúcho está sendo prejudicado, uma vez que o frango que vem de Santa Catarina chega aqui com preços subsidiados", dispara.
O presidente da Agas observa que itens com alta de preços deverão ser substituídos por outras marcas e produtos. "Obrigatoriamente, o consumidor não absorverá este aumento, porque pode optar pelas carnes bovina e suína, além do frango trazido de outros estados", projeta. Com relação aos cortes bovinos, a estiagem pode acabar beneficiando o consumidor, que terá a seu favor a diminuição do gado em pé no campo, já que o pecuarista vai reduzir o seu plantel em função da seca, explica o dirigente.
No caso dos produtos de hortigranjeiros, os investimentos do setor em irrigação e em estufas praticamente eliminam qualquer risco de queda de qualidade e aumento de preço em função da seca ou de excesso de chuvas. "É tudo questão de safra, se aumentarem dez itens, outros dez estarão em baixa. Basta que o consumidor pesquise os preços e evite os produtos que estiverem mais caros." Para os próximos dias, também há estimativas de que o preço da soja também sofra reajustes. "Mas trata-se de uma commoditie, cujos preços serão regidos pelo mercado mundial e pela lei da oferta e da procura", projeta.

Fonte: Jornal do Comércio | Adriana Lampert

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