Ihara eleva aporte, amplia o portfólio e quer crescer 20%

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Julio Garcia: "Queremos estar presentes em todas as culturas do Brasil"

Confiante no vigor do mercado de defensivos agrícolas e no potencial da ampliação do portfólio que promoveu nos últimos anos, a brasileira Ihara recarregou o cartucho de investimentos e engatilhou novas pesquisas e mudanças na área fabril. O plano inicial, que previa aportes de US$ 26 milhões entre 2010 e 2014, avançou para um montante de US$ 35 milhões anuais. De imediato, a expectativa da companhia é elevar o faturamento em cerca de 20% este ano, a US$ 550 milhões.

A aposta é que os registros de cinco novos produtos, obtidos nos últimos 12 meses, embalem o avanço nas vendas da companhia este ano. Entre as aprovações obtidas, há soluções para mercados tão diferentes quanto os de soja, cana-de-açúcar, maçã e citros – e, de fato, diversificação é o tom que a Ihara tem buscado imprimir às atividades.

Criada em 1965 para atender aos agricultores de origem japonesa que se instalaram no Brasil, a Ihara se dedicou por muito tempo aos mercados de arroz e hortifrutis, duas das culturas com maior influência do país asiático. Porém, na última década, houve um reposicionamento estratégico que levou a companhia a aumentar o leque de culturas, com apostas especialmente em grãos, cana e algodão. "Mas queremos estar presentes em todas as culturas do Brasil", afirma Julio Borges Garcia, diretor presidente da Ihara.

Quando assumiu a companhia, em 2010, Garcia trabalhava com a meta de dobrar a participação no mercado em cinco anos, de 3,5% para 7% das vendas de agroquímicos no país. Mas o plano acabou frustrado porque o desempenho do mercado de defensivos "surpreendeu". "Houve um crescimento maior do que esperávamos, principalmente por aumento de área e pressão de doenças e pragas inesperadas", explicou. O avanço do mercado, acrescentou o executivo, também veio calcado em segmentos para os quais a Ihara não tinha muitas soluções até então, caso de cana e pastagens.

O adiamento da meta não preocupa a Ihara, garante Garcia, porque a companhia deposita mais expectativas no longo do que no curto prazo. "Somos mais conservadores, não precisamos fazer muito volume para demonstrar [market] share", justifica. Em 2013, a empresa faturou US$ 450 milhões, ou quase 5% do mercado brasileiro de agroquímicos, estimado em mais de US$ 10 bilhões.

O fato de a Ihara não ter ações negociadas em bolsa contribui para diminuir a pressão, diz Garcia, já que não há "necessidade de gerar expectativas aos sócios". A companhia é hoje controlada por sete empresas japonesas: Nippon Soda, Kumiai Chemical, Sumitomo Corporation, Mitsui Chemicals Agro, Sumitomo Chemical, Mitsubishi Corporation e Nissan Chemical. Dos US$ 35 milhões que passaram a ser investidos por ano, ao redor de US$ 20 milhões estão sendo destinados a ativos em geral (ampliação da fábrica e novos equipamentos) e os US$ 15 milhões restantes a despesas operacionais, como testes laboratoriais e a campo.

Na estrutura industrial – concentrada em Sorocaba (SP), junto à área administrativa -, a companhia concluiu este ano obras para a segregação da área de herbicidas, agora completamente isolada da produção de inseticidas e fungicidas. Ainda em 2014, a Ihara começará a erguer uma planta de WDG (grânulos dispersíveis em água), destinada à fabricação tanto de fungicidas quanto de inseticidas. A previsão é que a primeira fase seja concluída em outubro, ao custo de US$ 10 milhões, mas o projeto total está orçado em US$ 25 milhões, para uma capacidade de 10 mil toneladas.

Aumentar os esforços para a ampliação da linha de produtos refletiu diretamente no número de funcionários da Ihara, que praticamente dobrou nos últimos quatro anos, para pouco mais de 600 pessoas – um terço das quais diretamente envolvidas com o trabalho de campo.

O fortalecimento da pesquisa no Brasil também foi favorecido pelo poderio tecnológico dos japoneses. Conforme Garcia, 50% das novas moléculas que surgem no mundo vêm do Japão – muitas delas criadas por empresas ligadas à Ihara. "No passado, era mais comum que elas fossem repassadas a outras companhias. Hoje, estamos melhor posicionados para redistribuir esses produtos no Brasil", diz.

Atualmente, a Ihara tem mais de 60 projetos em desenvolvimento, com 16 novos ativos em avaliação. Esse ano, a empresa já submeteu aos órgãos competentes mais cinco pedidos de registro. E abocanhar 7% do mercado ainda não saiu do radar: a expectativa da empresa, agora, é chegar lá nos próximos cinco anos.

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Fonte: Valor | Por Mariana Caetano | De São Paulo

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