Identificar lagarta é primeiro passo para prevenção

É possível combater a ação da praga no campo com técnicas de manejo

Joana Colussi joana.colussi@zerohora.com.br

Diante do risco de encontrar a Helicoverpa armigera em suas lavouras na próxima safra, produtores gaúchos terão um papel importante no controle da praga. Saber identificar a lagarta e diferenciá-la da espécie zea (que ataca a espiga do milho) é o primeiro passo antes de definir o manejo e o inseticida a ser aplicado.

— A chance da helicoverpa aparecer no Rio Grande do Sul é alta. Se o agricultor não monitorar as lavouras, aumentarão as chances da praga avançar — alerta Adeney Bueno, pesquisador da Embrapa Soja.

De acordo com a Embrapa, a falta de equilíbrio no uso de defensivos pode ter efeito contrário ao desejado e favorecer as pragas por eliminar seus inimigos naturais ou criar resistências.

— A situação é preocupante, mas é possível ter uma safra positiva com aplicação de inseticida quando existir uma incidência mais considerável da praga — completa Bueno.

Uma lagarta que atormenta o planeta

Caracterizada pela alta mobilidade e capacidade de sobrevivência, mesmo em condições adversas, a Helicoverpa armigera atormenta agricultores no mundo todo. inda não se sabe como ela surgiu no Brasil, mas a lagarta é bastante conhecida na Europa, Índia e Austrália — onde ataca as folhas das plantas, vagens, grãos e frutos.

No Brasil, as principais commodities (soja, milho e algodão) foram as mais afetadas. Na soja, o inseto compromete diretamente o grão.

— A lagarta perfura a vagem e se alimenta do grão. A perda é direta — relata Ernani Sabai, diretor de projetos de integração e pesquisa da Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Estado mais atingido, com mais de R$ 1,5 bilhão em perdas na safra passada, a Bahia se prepara para enfrentar novamente a inimiga — porém agora com "armas de defesa".

— Já conhecemos mais sobre a praga, como ela se comporta e onde ataca com mais intensidade. Por isso, esperamos que neste ano os prejuízos sejam menores — diz Sabai.

Na próxima safra, os produtores serão beneficiados também pela autorização da importação emergencial de defensivos para conter a Helicoverpa armigera. Inserido na Medida Provisória 619/2013, o decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff permite o uso de defensivos contra a praga em casos de emergência sanitária e fitossanitária oficialmente declaradas.
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MAPA: Onde a praga atingiu as lavouras brasileiras

Fonte: Zero Hora

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