IBGE confirma forte retração no abate de bovinos em 2015

O expressivo descarte de matrizes em 2013 foi fundamental para o arrefecimento dos abates de bovinos no país no ano passado em relação a 2014, que registraram a maior queda desde que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciou esse tipo de mensuração, em 1997. Ao mesmo tempo, uma aquecida demanda no exterior ajudou a motivar novos recordes nos abates de suínos e de frangos em igual comparação. A avaliação é de Adriana Santos, pesquisadora da Coordenação de Agropecuária do IBGE, que ontem divulgou os mais recentes resultados da pesquisa trimestral que realiza.

Adriana afirmou que ainda há dificuldades para a recomposição do rebanho bovino por causa do aumento dos descartes de matrizes há três anos. No ano passado os abates de bovinos caíram 9,6%, para 30,6 milhões de cabeças. A pesquisadora destacou que houve queda em 23 dos 27 Estados do país. As maiores retrações foram em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Ainda que o peso médio das carcaças bovinas abatidas tenha sido 6,7 quilos maior na comparação entre 2015 e 2014, a redução da oferta colaborou para a sustentação dos preços domésticos. "Para se ter uma ideia, houve um aumento dos preços da arroba em torno de 15% em 2015 ante 2014", disse Adriana.

Ela realçou que outro ponto negativo indicado pela pesquisa foi a queda da aquisição de leite, que colaborou para manter os preços do produto em um patamar muito baixo. "Não fazemos esse tipo de acompanhamento por aqui. Mas relatórios do Cepea [Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada] apontam que o preço de 2015 do leite foi o mais baixo dos últimos cinco anos. Acaba sendo difícil para o produtor [manter ritmo de aquisição de leite]", disse.

Em contrapartida, Adriana Santos salientou os desempenhos positivos nos abates de suínos e frangos. No caso dos suínos, disse, colaborou para o recorde registrado o aumento da demanda derivado da retirada de restrições sanitárias à entrada da carne suína brasileira em mercados como Rússia, Cingapura e Hong Kong. "As exportações de suínos aumentaram em torno de 13% em 2015 ante 2014", observou a pesquisadora.

A demanda externa pela carne de frango do país também se mostrou aquecida, com destaque para o aumento das compras da China e da Arábia Saudita. "Isso contribuiu com o aumento dos abates de frango" disse Adriana.

A pesquisa do IBGE também apurou um recuo de 10,5% na aquisição de couro no ano passado ante 2014, para 32,55 milhões de peças inteiras de couro cru bovino. E mostrou, finalmente, uma alta de 3,5% na produção brasileira de ovos de galinha na mesma comparação, para 2,92 bilhões de dúzias.

Mais em www.ibge.gov.br

Por Alessandra Saraiva | Do Rio

Fonte : Valor

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