IAC exportará mudas de cana para o México

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Canaviais no centro do IAC: instituto está aprendendo a responder mais rapidamente às necessidades do mercado

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC) realizará em breve a sua primeira exportação de cana-de-açúcar. O órgão vinculado à Secretaria de Agricultura de São Paulo entregará ao México, no mês que vem, variedades da planta que prometem elevar de forma significativa a produtividade dos canaviais daquele país.

As mudas de cerca de seis variedades de cana – o tamanho final do lote ainda está sendo avaliado – serão plantadas no Estado de Veracruz, responsável por quase metade do açúcar produzido hoje no México. Testadas sob as condições de clima e solo da região, as mudas brasileiras registraram desempenho médio 30% superior a das mexicanas.

"A cana é mais um passo no nosso histórico de cooperação com o México. Grande parte do café que os mexicanos tomam são de cultivares do IAC", disse ao Valor o pesquisador Marcos Guimarães Landell, diretor do centro de cana do IAC. Segundo ele, o custo do projeto de cinco anos foi de US$ 1, 6 milhão, arcado pelo Grupo Piasa e as associações de produtores mexicanos – muito fortes no país -, e é possível que o contrato sejam renovado.

A parceria com Veracruz, iniciada em 2007, tinha como objetivo impulsionar um segmento importante para os mexicanos, mas estagnado. A ausência de um programa de melhoramento de plantas e de investimentos deixou os canaviais do país defasados. Segundo Landell, o México planta basicamente só duas variedades em 80% da área destinada à cana – e a mais "novinha" foi desenvolvida na década de 1960.

"É muito tempo com a mesma variedade, aí a produtividade despenca", diz o pesquisador.

Não que o Brasil esteja livre desse problema – a cana-de-açúcar, segunda cultura com maior peso no valor da produção agrícola do país, viu sua produtividade cair nos últimos anos. Em 2004, os canaviais do Centro-Sul renderam, em média, 86,5 toneladas de cana por hectare. Neste ano, devem chegar a 83,7 toneladas por hectare – uma queda de 3,23%. A diferença é que, no México, a base de comparação é muito inferior à brasileira.

"Como as variedades são muito velhas no México, qualquer ganho representa um caminhão de açúcar ao país", diz Landell.

O México tem desvantagens físicas, como o solo duro que dificulta o preparo da lavoura, mas a vantagem química de uma terra mais fértil que a brasileira, por exemplo. O clima varia muito mesmo em pequenas distâncias. Após três colheitas em épocas distintas, que permitiram expor as plantas a condições diversas de chuvas, foram identificadas as variedades com bom desempenho para aquelas características.

De acordo com o pesquisador, os mais de 40 ensaios registraram ganhos muito superiores às variedades locais, que não rendem mais que 55 toneladas de cana por hectare. Em alguns casos, a produtividade atingiu 80%. Na média, Landell acredita que a produtividade poderá subir 30%.

"Para conseguirmos 1% a 2% na produtividade aqui é duro… imagina 30%. É muita coisa", diz ele.

Além das mudas, o IAC também está realizando treinamentos com equipes técnicas das usinas mexicanas, de forma a permitir o melhor uso da tecnologia no plantio, cultivo e na colheita.

A exportação das mudas de cana-de-açúcar é vista como uma tentativa do IAC de aumentar a visibilidade do trabalho de seus cientistas e, espera-se, como o início de um caminho para parcerias internacionais. Muitos ainda lamentam a "diminuição" do órgão de pesquisa agrícola paulista frente à Embrapa, mais rica, conhecida e internacionalizada.

Nos últimos anos, o centro de cana do IAC já foi procurado por diversos governos da América Latina e por países da África com potencial para a produção de açúcar, como Angola e Moçambique. O centro produz por ano mais de 300 mil variedades híbridas de cana, e já colocou 21 no mercado. Nenhuma parceria científica concreta, no entanto, surgiu desses encontros.

"Acho que estamos aprendendo a responder aos estímulos de demanda", diz Landell. "Hoje, tentamos montar projetos específicos com muito mais rapidez. Queremos ficar vinculados à demanda e não vamos mais fazer coisas desconexas. Não temos dinheiro para isso". Não à toa: com orçamentos públicos enxutos, os aportes da iniciativa privada são fundamentais para o andamento das pesquisas. A parceria com o México é resultado desse olhar mais pragmático para a ciência.

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Fonte: Valor | Por Bettina Barros | De São Paulo

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