HORA DE ACELERAR A LOGÍSTICA

O Brasil deverá ter o seu ritmo de crescimento na produção de grãos reduzido nos próximos dez anos por um problema crônico de falta de investimento em infraestrutura. O tema, tratado ontem no primeiro dia do Correio Rural Debate, na Expodireto, pontuou gargalos da logística doméstica e formas de enfrentá-los. Um ponto unânime entre os debatedores é que é preciso urgentemente desregulamentar o setor e garantir segurança jurídica aos investidores. Segundo Caio Vianna, presidente do complexo Termasa-Tergrasa, o investimento em infraestrutura tem maturação de longo prazo. ‘O marco regulatório brasileiro para o setor não garante retorno ao investidor. Algumas empresas calculam o investimento para cem anos.’ Mais do que isso, alerta o consultor André Pessoa, é preciso melhorar o grau de eficiência dos investimentos por meio de melhor gestão dos recursos. O superintendente do Mapa, Francisco Signor, acrescenta que é preciso alterar também o modelo de concessões de forma a pôr fim à exploração de modais por uma única empresa, o que acaba gerando impacto nas tarifas. ‘No RS, se investiu muito pouco na ampliação da malha ferroviária.’

A falta de ações efetivas do governo, associada a um crescimento de produção de grãos e exportações muito superiores ao previsto, já leva o país a reduzir a sua taxa de crescimento como fornecedor de alimentos. ‘Vamos ter que colocar o pé no freio. Não adianta produzir 250 milhões de t se só sai 70 milhões dos portos’, frisa Pessoa. Neste ano, segundo cálculos do consultor, apenas de milho e soja, o Brasil exportará 66 milhões de toneladas para uma capacidade de 73 milhões de t de escoamento nos portos. O passivo da logística defasada representa uma perda de 17% no PIB. Na Europa, o percentual é de 6%.

O agricultor gaúcho sente a ineficiência na carne. Segundo o presidente da Cotrijal, Nei Mânica, a cada entrada de safra o custo do frete rodoviário aumenta, o que, neste ano, representou perda de R$ 4,00 a R$ 5,00/saca. ‘Existem dois grandes gargalos: o primeiro é a armazenagem; o segundo, as rodovias’, reclama o dirigente. Custo extra que também pesa no setor de lácteos, garante o presidente do Sindilat, Wilson Zanatta. Segundo o presidente da Fecoagro, Rui Polidoro Pinto, os produtores devem tentar sensibilizar autoridades.

O economista da Farsul, Antônio da Luz, enxerga a questão de forma mais sombria. A seu ver, se nada for feito para reverter a falta de investimento, o Brasil fará a façanha de perder competitividade em commodities, a única área que ainda mantém vantagem competitiva. ‘O preço da soja é igual no mundo todo. O que muda é o custo da logística. No ano passado, enquanto o John gastou 99 dólares para transportar uma tonelada por 2.149 quilômetros nos EUA, o João de Mato Grosso desembolsou 158 dólares por 2 mil quilômetros, diferença de R$ 7,00/sc’.

Fonte: Correio do Povo

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