Holding familiares aplicadas ao agronegócio

Responsável por um terço do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e capaz de elevar a produção alimentícia em 40% até 2020, o agronegócio tem posição estratégica no cenário global. Grande parte do patrimônio familiar está investido no negócio de longo prazo e os familiares desempenham múltiplos papéis (donos, gestores, herdeiros, sucessores). Por isso, manter a competitividade exige, além de foco, profissionalizar o modo de pensar e gerir.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que de cada cem empresas familiares, 30 chegam à segunda geração e cinco conseguem rumar para a terceira. Desnuda o desafio para esses negócios familiares, em contexto no qual as relações afetivas ou emocionais devem ceder espaço para a racionalidade corporativa quando se trata de tomada de decisões, sendo fundamental definir claramente as funções dos familiares na gestão da propriedade, reestruturar o quadro organizacional, capacitar herdeiros e sucessores e, quando necessário, criar um conselho administrativo com a participação familiar.
Constituir uma holding rural familiar pode ser uma alternativa eficaz para solução de problemas recorrentes. As holdings são empresas que investem o seu patrimônio em ações ou quotas de outras sociedades, podendo ser constituídas por qualquer tipo societário regulado pelo Código Civil, e seu objeto social deverá expressamente mencionar participação no capital social de outras empresas. Antes vistas como algo aplicável somente às grandes empresas, as holdings ganharam espaço para estruturação de diversos negócios no mercado, independentemente do faturamento, desde que respeitado o propósito negocial.
No âmbito fiscal, possibilita planejamento tributário, proteção patrimonial, retorno de capital por lucros e dividendos, além de vantagens com a legislação. Na sucessão, reduz a carga tributária incidente por falecimento. Em alguns casos, o controlador pode doar quotas aos herdeiros com usufruto vitalício sem perder o poder de administração, além de inserir cláusulas de impenhorabilidade, incomunicabilidade, reversão e inalienabilidade.
Sob o aspecto societário, auxilia de forma regrada, permite crescimento, controle e administração de investimentos. Cabe ressaltar que esse movimento deve ser feito enquanto as relações societárias e familiares estão sob as rédeas do gestor, pois nas organizações também se aplica a lei da entropia.
Muitos são os benefícios quando se investe na gestão da empresa familiar rural com holding, propiciando uma reestruturação para otimizar indicadores de desempenho, lucratividade, competitividade e proteção do patrimônio conquistado.
*Especialista da Pactum Consultoria Empresarial

Fonte: Zero Hora

OPINIÃO
  • Fabio Raimundi*

  • Holding familiares aplicadas ao agronegócio

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *