Heringer lucrou no 4º tri, mas fechou 2015 com prejuízo

Apesar de ter registrado uma expressiva melhora em seu resultado líquido no quarto trimestre do ano passado, a Fertilizantes Heringer, uma das maiores empresas do segmento no país, não conseguiu reverter as perdas acumuladas nos nove meses anteriores e encerrou o exercício 2015 com prejuízo.

Segundo a companhia informou ontem à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), seu lucro líquido alcançou R$ 53,8 milhões entre outubro e dezembro de 2015, ante prejuízo de R$ 21,7 milhões em igual intervalo do ano anterior. Mas o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) recuou 18%, para R$ 95 milhões, e a receita líquida foi 22,9% menor (R$ 1,2 bilhão).

Conforme Dalton Carlos Heringer, presidente da empresa, essas variações refletem uma estratégia que, no quarto trimestre, procurou diluir o risco de crédito da carteira de clientes e preservar margens. Daí a retração das vendas no período, que em volume foi de 22,9%, para 1,3 milhão de toneladas. No mercado brasileiro em geral, a queda foi de 7%.

Essa postura mais cautelosa, mantida em 2016, ganhou força a partir de problemas enfrentados nos três primeiros trimestres de 2015, que culminaram com o aumento da dívida para R$ 2,1 bilhões em 30 de setembro. E que determinaram o prejuízo de R$ 336 milhões do exercício, quando o Ebitda caiu 40,3%, para R$ 198,2 milhões. A receita líquida, em contrapartida, cresceu 6%, para R$ 6,3 bilhões.

"Foi um ano muito difícil, sobretudo em razão das incertezas que rondaram o crédito ao agricultor e das oscilações cambiais e seus efeitos sobre a dívida", disse o empresário.

A cautela, que já influenciou na redução do endividamento para R$ 1,6 bilhão em 31 de dezembro, também se refletirá nos investimentos. Em 2015, foram R$ 83 milhões, boa parte destinada à conclusão de duas novas unidades de mistura – uma em Candeias, na Bahia, e outra no município gaúcho de Rio Grande. Neste ano, serão R$ 20 milhões.

O comportamento do mercado ajuda a justificar essa redução. Com as incertezas sobre preços de commodities e a escassez de crédito disponível ao produtor, as vendas de fertilizantes no país registraram em 2015 a primeira queda desde 2009 – 6,2% sobre 2014, para 30,2 milhões de toneladas. Estimativas indicam que poderá haver crescimento este ano, mas de, no máximo, 5%.

A Heringer, cujo volume de vendas caiu 9,7% em 2015, para 5 milhões de toneladas, tem em suas 19 unidades espalhadas pelo país uma capacidade conjunta da ordem de 6 milhões de toneladas. Para que seja toda ocupada, a demanda pelos produtos da empresa teria que crescer 20% em relação a 2015, mas a companhia espera apenas acompanhar o avanço do mercado.

"Nosso foco não é participação de mercado [que caiu de 17%, em 2014, para 16,3% em 2015], mas rentabilidade. Em 2015, 38% de nossas vendas já foram de produtos especiais, com valor agregado mais elevado", disse Dalton Carlos Heringer.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor

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