Helicópteros são nova opção para aplicar defensivos

 

Tecnologia é indicada para terrenos montanhosos e de difícil acesso

Foto:Divulgação/ Climb AircraftAmpliar fotoHelicópteros são nova opção para aplicar defensivos

Helicóptero pousa sobre caminhão da empresa

Propriedades em regiões montanhosas ou sem pista de pouso agora podem optar pela pulverização aérea de defensivos agrícolas. A possibilidade se abre com o uso de helicópteros e a certificação de uma empresa brasileira para prestar esse serviço, a Climb Aircraft, de Monte Mor, SP. Mais versáteis, as aeronaves tem capacidade de manobra em terrenos acidentados e podem levantar voo verticalmente, até mesmo do baú de um caminhão.

Rafael Machado, coordenador de operações da empresa, afirma que a tecnologia vai além. “Como o helicóptero voa a menores velocidades, é possível fazer uma aplicação mais precisa, com redução da deriva e melhor deposição dos produtos na superfície das plantas”, diz.

Duas multinacionais testaram a tecnologia a campo para aferir suas vantagens. Os testes foram feitos em lavouras de soja e milho em Santa Catarina, e de laranja e cana em São Paulo. “E o que eles mostraram foi que esses benefícios se devem ao efeito ‘down wash’, causado pelas pás do rotor do helicóptero – que joga o ar para baixo e, consequentemente, as gotas dos produtos também”, afirma Machado. A menor velocidade de operação da aeronave, entre 90 km/h e 130 km/h, também ajuda explicar a redução da deriva. “Trabalhando em velocidades mais baixas, as gotas quebram menos e, como o vento tende a carregar as partículas mais finas, a deriva diminui”, explica.

Durante a operação, o helicóptero voa a alturas de dois a quatro metros. Equipado com fluxômetro e GPS, consegue ajustar o volume de calda a qualquer sinal de mudança em sua velocidade. A aplicação é feita conforme a necessidade do cliente. “Pulverizamos em área total, mas o mais comum é o produtor requisitar a aplicação sobre reboleiras. Alguns também querem que, na soja ou no milho, haja maior penetração do defensivo, então eles pedem para a gente voar mais baixo e mais lento”, diz Machado. Detalhes como esses são acordados, geralmente, em voos de reconhecimento da área. “É o que chamamos de voo de inspeção, sem calda e sem equipamento agrícola. Só para detectar plantas daninhas, áreas a serem tratadas e o perfil de tratamento que cada produtor vai querer utilizar”.

Em terra, o piloto conta com o suporte de um técnico agrícola e um motorista, além de um caminhão. Segundo Machado, a unidade móvel é equipada com tanque de água e também de combustível para a aeronave. No caminhão ainda é possível preparar o insumo para aplicação. “No caso de alguns clientes que são produtores de cana, por exemplo, e não trabalham com a calda pronta, nós temos condições de fazer a mistura no nosso caminhão, e de lá mandar para o helicóptero”. O baú do veículo é reforçado para servir de pista de pouso quando necessário.

Desde fevereiro, a Climb Aircraft tem autorização da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para operar o serviço que, segundo a assessoria da empresa, tem custo equivalente ao da aviação agrícola tradicional. Quanto ao desempenho dos trabalhos em horas/ hectare, Machado diz que à taxa de vazão de 30L/ha a média de aplicação fica em 60 hectares/ hora. Se a taxa é de 40L/ha, isso vai para 80 ha/h; e sendo de 10L/ha, chega a 100 ha/h.

Novidades

Até junho, a empresa espera ter homologado um curso para formação de pilotos e contar com seis aeronaves. Hoje, os trabalhos são realizados por apenas uma. O público do treinamento é quem já tem licença para pilotar helicópteros e experiência mínima de 400 horas de voo, conforme exige a Anac.

No prazo de dois meses, outra novidade a ser lançada é o transporte de carga externa. “Na agropecuária, o que mais vai demandar esse serviço é a pulverização de sólidos”, diz Machado. Em sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP), por exemplo, a tecnologia permitirá pulverizar sementes de pasto sobre lavouras de soja. “A vantagem é evitar o amassamento da cultura com a entrada de máquinas para fazer o plantio e, ao mesmo tempo, ter um pasto formado depois da colheita”, afirma o coordenador de operações.

Marina Salles

Fonte: Portal DBO