Helicoverpa em MT: Sapezal e Campos de Júlio preocupam, diz fiscal do Mapa

Wanderlei Guerra defende ação em grupo por parte de produtores rurais

por Raphael Salomão, de Diamantino (MT)*

Editora Globo

Produtos de eficiência desconhecida podem agravar o problema  (Foto: Ed. Globo)

Os municípios de Sapezal e Campos de Júlio estão entre os casos mais preocupantes em relação à incidência da lagarta helicoverpa armígera no estado de Mato Grosso. A informação é do fiscal agropecuário Wanderlei Dias Guerra, do Ministério da Agricultura, que tem realizado ações de monitoramento de lavouras no estado.
Segundo ele, além da própria incidência da praga em maior densidade, produtores dessas regiões utilizaram “três a quatro produtos” para combatê-la, mas não obtiveram sucesso. “Em um segundo momento, eu entrei em contato com esses produtores e eles se acertaram”.
Guerra está organizando grupos de agricultores para fazer avaliações e estabelecer medidas de controle da lagarta, que tem causados prejuízos milionários, principalmente na Bahia, e também tem atingido plantações em Mato Grosso.
Um primeiro grupamento foi formado na própria região de Sapezal. Os representantes do Mapa e os agricultores devem se reunir nesta terça-feira (15/10) para avaliar os resultados obtidos até agora. Também será discutida a formação de um novo grupamento, também nas proximidades do município.
Nesta fase inicial, ainda considerada piloto pelo servidor do Mapa, o monitoramento abrange uma área de 100 mil hectares. Os dados serão usados para estabelecer uma prática de combate à helicoverpa que possa ser realizada em conjunto por produtores de uma mesma região.
“Este é um dos nossos objetivos. Reunir o maior número de produtores, entender o que está sendo feito de certo e de errado para difundir a melhor prática”, disse ele, ao acompanhar o primeiro dia de expedições do Circuito Tecnológico Aprosoja, que deve percorrer mais de 600 propriedades rurais do estado até o próximo dia 25.

Defensivos

Wanderlei Guerra alertou que o uso de produtos de eficiência desconhecida pode, em vez de ser uma solução, agravar o problema. De acordo com ele, esses princípios ativos podem até eliminar uma parte das lagartas, mas as que apresentarem mais resistência seguirão se multiplicando, tornando o controle ainda mais difícil.
Sobre os defensivos permitidos, Guerra lembrou que já existem alternativas liberadas no Brasil, não apenas de controle químico, mas também biológico. “Haverá novos produtos, entre eles o benzoato de emamectina, mas o produtor deve lançar mão dos já registrados pelo Ministério da Agricultura. É preciso que o produtor faça o rodízio de produtos registrados, o monitoramento adequado e tente controlar a praga ainda nos menores tamanhos”.
Ele explicou também que, quando uma praga entra na lavoura (e, no caso da helicoverpa, houve até o ataque a plantas daninhas durante a entressafra), não é recomendável, inclusive do ponto de vista ecológico, tentar fazer a sua erradicação. O que deve ser feito é tentar controlar a incidência e evitar prejuízos ainda maiores.
“Uma forma da situação se agravar é a praga, que já veio com certa resistência, que ela a amplie e que sejam selecionadas novas populações mais resistentes ainda e que, em um determinado momento, consiga-se um controle menor do que já está”, recomendou Guerra.
*O repórter Raphael Salomão viajou a convite da Aprosoja-MT

Fonte: Globo Rural

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