‘HAVIA UM MAL MAIOR’, DIZ ECONOMISTA

Presidente da FEE à época da implantação do Plano Real, o economista Antonio Carlos Fraquelli, hoje aposentado, defende a importância da moeda para a agricultura. ‘Como o produtor iria planejar o seu negócio há 20 anos, com uma inflação de 1.000%? As pessoas não viveram ou não lembram o que foi o período da falta de estabilidade. Naquela época não se podia planejar negócio nenhum’, ressalta.

Para o economista, é preciso contextualizar. Ele recorda que a adoção da moeda foi seguida pela crise do peso mexicano, em dezembro de 1994, conhecida como Efeito Tequila, por suas consequências nos países do Cone Sul. Em 1997, foi a vez da crise asiática. O século teve início com a chamada crise da Nova Economia, que atingiu as empresas de informática. Segundo Fraquelli, o cenário muda entre 2004 e 2007, quando a economia mundial cresce a uma taxa de 5% ao ano.

Criado após cinco planos monetários fracassados, que contribuíram para elevar a inflação, o Real estabilizou os preços, fazendo com que o valor pago aos produtores ficasse sem reajustes significativos nos primeiros anos. Para Fraquelli, isso garantiu o sucesso da moeda. ‘Não é que o plano foi contra a agricultura. Foi a favor do Brasil, e a agricultura teve de pagar essa conta’, diz. ‘O setor primário se sentiu prejudicado, mas havia um mal maior, que era o risco da hiperinflação.’

Em 2013, o volume de exportações alcançou 100 bilhões de dólares. A balança comercial do setor apresentou saldo positivo de 82,9 bilhões de dólares, e na economia o superávit foi de 2,56 bilhões – o pior resultado em uma década. Os números reforçam a convicção de lideranças de que o setor primário continua a ser a ‘âncora’ do Real. ‘Nos últimos cinco anos, foi o agronegócio que assegurou o resultado da balança comercial’, afirma o consultor em agronegócio Carlos Cogo. No primeiro quadrimestre de 2014, respondeu por metade das exportações. ‘Isso só é possível numa situação de câmbio favorável’, diz Cogo, ao destacar que o dólar está em patamar mais atrativo do que nas últimas duas safras.

Fonte: Correio do Povo

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