Há 20 anos sem vacina, SC conquistou mercados

Estado vizinho tem o status de livre de febre aftosa sem vacinação

Pouco antes de o Rio Grande do Sul enfrentar o trauma do rifle sanitário que levou ao abate de milhares de bovinos no município de Joia, há 20 anos, o vizinho estado de Santa Catarina retirou a vacina contra aftosa em todo seu território. Anos depois, em 2007, se tornou o primeiro estado, isoladamente dentro de um País, considerado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) como zona livre de aftosa sem vacinação.

Desde então, nenhum caso foi registrado em solo catarinense e, a partir de 2013, aumentou o volume de exportações de suínos.

É que se espera que ocorra, em breve, no Rio Grande do Sul.

No ano 2000, Santa Catarina embarcava para o exterior apenas 74 mil toneladas de carne suína, volume que aumentou para quase 280 mil toneladas em 2005. Logo depois, as exportações desceram para um nível entre 140 mil e 200 mil toneladas anuais nos anos seguintes.

Em 2013, após um intenso trabalho de prospecção de novos mercados, tanto por parte do governo quanto das empresas, os embarques cresceram ano após ano, até atingir 416 mil toneladas de carne suína exportadas em 2019 – uma alta de 147% em seis anos. Hoje, os catarinenses lideram as exportações do produto.

O crescimento é duas vezes maior do que a média brasileira no período, de 47%, quando o País passou de 517 mil toneladas ao ano para 750 mil. O Rio Grande do Sul, neste mesmo espaço de tempo, pouco avançou: de 158 mil toneladas negociadas com o exterior em 2013 chegou a um pico de 200 mil toneladas em 2016 e caiu para 168 mil toneladas no ano passado.

Santa Catarina demorou cerca sete anos para obter a certificação da OIE, e mais seis até conquistar a confiança dos compradores internacionais de que era uma ilha segura contra a doença, mesmo sem vacinar, dentro um País da imensidão do Brasil. Depois de uma missão japonesa aos frigoríficos e campos catarinenses, especialmente, as vendas de carne suína deslancharam.

Presidente da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Luciane Surdi avalia que é o status sanitário diferenciado que as-segura aos frigoríficos locais uma vantagem competitiva importante ao agronegócio catarinense. "A certificação internacional contribuiu para que Santa Catarina se tornasse o maior exportador de carne suína, e o segundo maior de frango. E há demanda para a exportações de carne de gado, mas como o estado tem déficit – inclusive comprando boa parte do que consome de outros Estados – não se consegue atender a essa procura", explica Luciane.

De acordo com o secretário de Agricultura do estado vizinho, Ricardo de Gouvêa, tudo é fruto de uma união permanente de esforços entre produtores, indústrias e governos local e federal nos controles sanitários. Isso inclui atenção a todo o tipo de doenças animais, do frango ao gado de leite, passando pelos suínos e gado de corte.

"Exportamos para mais de 140 países, entre eles os que têm mais alto nível de exigências, como Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. O nosso status é diferenciado, também, porque trabalhamos com a identificação e rastreamento por chips de todo nosso o rebanho bovino (de 4,7 milhões de cabeças em 2019)", ressalta Gouvêa

Fonte: Jornal do Comércio

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