GVO quer trocar bonds de US$ 735 milhões

O Grupo Virgolino de Oliveira (GVO), ex-sócio da trading Copersucar, entregou ontem uma proposta de pagamento aos seus bondholders, segundo antecipou o Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor. Esses investidores detêm US$ 735 milhões em títulos da empresa sucroalcooleira e não recebem o pagamento de seus respectivos cupons semestrais desde julho de 2014. Esses títulos estão com forte deságio no mercado secundário, e estão sendo negociados por entre 4% e 20% de seus valores originais.

Pela proposta, a GVO emitiria novos bonds em substituição aos já existentes. Esses novos papéis teriam prazos de vencimento de dez a 15 anos mais longos do que os dos títulos em vigor. Teriam, ainda, uma taxa de remuneração menor, conforme apurou a reportagem. Procurada, a GVO não comentou.

A companhia, que começou a captar recursos por meio desses títulos a partir de 2011, fez três emissões, com taxas de remuneração de cupons que variam de 10,5% a 11,75%. O de vencimento mais longo (2022) é de US$ 300 milhões, sem garantia. Há outro bond de US$ 300 milhões, também sem garantia, para 2018. A empresa emitiu ainda US$ 135 milhões em notes, com garantia, que vencem em 2020.

Desde que deixou de pagar os cupons semestrais, a GVO negocia com os credores uma solução para a dívida, enquanto tenta ampliar sua moagem de cana. Nesta temporada 2015/16, as usinas do grupo – são quatro unidades no Estado de São Paulo – moeram 7,4 milhões de toneladas de cana, e o volume deverá chegar a 9 milhões de toneladas no ciclo 2016/17. No seu auge, chegou a processar 11 milhões de toneladas. Em 2014/15, o faturamento da empresa caiu 38%, para R$ 888 milhões.

Estratégia semelhante – troca de bonds por novos títulos – foi adotada pela sucroalcooleira Tonon Bioenergia antes de a empresa entrar em recuperação judicial.

Em julho do ano passado, o grupo, que tem como sócios um fundo da gestora DGF Investimentos, conseguiu a aprovação de seus bondholders para trocar bônus sêniores que venciam em 2020 por títulos novos e de igual vencimento, mas com "covenants" mais brandos e quase dois anos de pagamento de cupom reduzido – de 9,25% ao ano para 7,25%. A guinada do dólar no segundo semestre de 2015, no entanto, deteriorou mais a situação financeira da companhia que, meses depois, pediu recuperação judicial.

Por Fabiana Batista | De São Paulo

Fonte : Valor

Compartilhe!