Águas de março

Os prejuízos causados pelo apagão portuário previsto há muito tempo já começaram. Nesta semana, a companhia chinesa Sunrise cancelou a compra de2 milhões de toneladas de soja do Brasil, por atraso nos embarques.
Catimba dos espertos chineses para depreciar preços? Até pode ser, afinal a China tem uma história comercial milenar, já fez isso com o Brasil outras vezes, por outros motivos. Mas, tudo indica que os cancelamentos de compras se tornarão mais frequentes, em razão da lentidão e dos altos custos operacionais dos nossos portos.
Onde já se viu deixar um navio vários dias parado (pagando US$ 30 mil diários pela sobre-estadia) porque o porto não tem cobertura para carregar grãos sob chuva? As águas de março, da canção inesquecível de Tom Jobim, são tão previsíveis nesta época quanto a chegada do outono.
O Brasil produz menos de 200 milhões de toneladas de grãos. Estados Unidos, China ou Índia, que produzem – e exportam – mais do que o Brasil, não sofrem com gargalos portuários. Não se pode culpar a chuva pela falta de planejamento e de investimentos em infraestrutura.

Fonte: Zero Hora | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho