GTFoods produz frangos mais leves em uma de suas fábricas

Para ampliar as exportações de carne de frango e tentar driblar a alta do milho, o grupo paranaense GTFoods decidiu produzir frangos mais leves – do tipo ‘griller’, que é bastante demandado pelos países do Oriente Médio.

A decisão, tomada nos últimos dias, é válida apenas para os animais que serão abatidos no frigorífico da companhia em Paraíso do Norte (PR), explicou ao Valor o diretor administrativo do GTFoods, Rogério Gonçalves. Ao todo, o grupo tem seis abatedouros de de frango. Em 2015, o GTFoods faturou R$ 1,7 bilhão.

Com a nova estratégia para a planta de Paraíso do Norte, os frangos agora serão abatidos com 1,5 quilo. Antes, as aves abatidas tinham cerca de 3 quilos, disse Gonçalves. A alteração também reduz o período de engorda das aves, de cerca de 45 dias para 30 dias. Com isso, o consumo de milho é menor. Mas o GTFoods também quer elevar os abates na planta em 14%, de 140 mil aves diárias para 160 mil.

"A nossa rentabilidade vai melhorar em Paraíso do Norte", ressaltou ele. Ao exportar toda a produção da unidade, a GTFoods vai se beneficiar do dólar valorizado. Mas isso não é tudo, argumentou. A receita em dólar funcionará como um "hedge" para o milho, que também é referenciado em dólar. Apesar de reconhecer que a mudança significará economia de recursos com o milho, Gonçalves avaliou que a tendência é que as cotações da cereal caiam com a chegada da safra de inverno, a partir de maio.

Sendo assim, a grande benefício será impulsionar as exportações, aproveitando o câmbio favorável. De acordo com Gonçalves, as vendas externas do grupo passarão a representar 47% das receitas, ante 30% o ano passado. A expectativa do GTFoods é faturar R$ 2,3 bilhões em 2016, o que representaria um crescimento de 35% na comparação com 2015.

Em paralelo à mudança de foco em Paraíso do Norte, o GTFoods segue com o plano de expansão das unidades de Maringá (PR), onde está sediado, e de Terra Boa, que também fica no Paraná. Desde o ano passado, o grupo vem investindo nessas plantas para ampliar os abates.

O grupo prevê investir R$ 108 milhões neste ano na unidade de Terra Boa, o que permitirá ampliar a capacidade diária de abates de 80 mil aves para 220 mil. Em Maringá, os aportes somarão R$ 30 milhões para ampliar a capacidade de abates de 180 mil para 220 mil frangos. Antes de anunciar a alteração em Paraíso do Norte, o GTFoods previa fechar com 2016 com capacidade de abate de 750 mil, 22% acima da capacidade diária de 610 mil aves do fim de 2015.

Além da ampliação das unidades, o grupo também prevê construir 260 novos aviários para os produtores integrados em 2016. Atualmente, a empresa tem 1 mil aviários sob o sistema de integração, distribuídos em mais de 70 municípios do Paraná. Além das granjas dos integrados, a empresa também tem 110 granjas próprias. Ao todo, os aviários próprios e dos integrados da GTFoods têm capacidade para alojar 26 milhões de aves.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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