Grupo Scheffer negocia venda de participação

O Grupo Scheffer, controlado por um ramo da família do ministro Blairo Maggi e do megaprodutor Eraí Maggi Scheffer, negocia a venda de uma participação minoritária de seu capital. Segundo o Valor apurou, ao menos três fundos estrangeiros estão interessados no ativo, dois dos quais do Canadá. A empresa, grande produtora de grãos e avaliada entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões, contratou Rabobank e Itaú para assessorá-la na negociação. Procurados, o grupo e os bancos não comentaram.

Com sede em Sapezal, no oeste de Mato Grosso, a companhia foi fundada em 1993 por Elizeu Zulmar Maggi Sheffer, primo de Blairo e irmão de Eraí. De acordo com fontes do setor, atualmente conta com 11 unidades produtoras em Mato Grosso, Estado que lidera a produção nacional de grãos, e no Maranhão, com uma área total da ordem de 200 mil hectares onde planta soja, milho e algodão somadas as safra de verão e inverno. A empresa tem ainda escritórios na capital mato-grossense Cuiabá e em Sinop, no norte do Estado, e em Imperatriz, no Maranhão.

Fontes que conhecem bem o grupo dizem que hoje a gestão é dividida entre Elizeu, que assumiu a posição de estrategista, e seus três filhos. O dia a dia é tocado por Guilherme Sheffer, de 36 anos, que também é o diretor financeiro do grupo. Gilliard se concentra mais no planejamento operacional das lavouras e Gislayne é diretora administrativa.

Essas fontes garantem que, apesar de ter enfrentado problemas de capital de giro em 2016, não há sinais de dificuldades financeiros mais sérios e que a intenção do grupo é atrair um investidor para acelerar sua expansão. A opção pela venda de uma participação é para que o processo de avanço, que o grupo pretende que seja nos moldes do trilhado pelo Grupo Bom Futuro, de Eraí, não implique alavancagem.

As conversas com um dos fundos interessados avançaram recentemente e quase foi fechado negócio, mas o valor proposto pela fatia minoritária foi considerado baixo pela família.

Em Mato Grosso, o Grupo Scheffer é conhecido por ser competente no plantio e, embora tenha avançado pouco na profissionalização da gestão, também por ser mais "moderno" que outros grupos familiares de produção agrícola do Centro-Oeste no que se refere a alternativas de financiamento. No primeiro semestre de 2017, por exemplo, emitiu um Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA) de R$ 93 milhões assessorado por Itaú BBA, Rabobank e Santander. No passado, chegou a considerar a possibilidade de abrir o capital.

As fazendas do grupo – algumas das quais contam também com áreas de pastagens, mas relativamente modestas – são administradas pela Agropecuária Scheffer, controlada pela Scheffer Participações S.A. Essa holding também controla a Scheffer Armazéns e a Scheffer Transportes, duas subsidiárias consideradas estratégicas e bem posicionadas em seus mercados.

Fonte: Valor | Por Vanessa Adachi, Cristiano Zaia e Bettina Barros | De São Paulo e Brasília