Grupo Ruette faz empréstimo de R$ 230 milhões

Ana Paula Paiva/Valor / Ana Paula Paiva/Valor
"Eu sei que vamos levar uns 8 anos para as finanças ficarem em dia. Mas estamos no caminho certo", afirma Ruette

O Grupo Ruette, que tem duas usinas sucroalcooleiras no Estado de São Paulo, contratou R$ 230 milhões no país em uma operação sindicalizada liderada pelo banco Santander e com capital também de BTG Pactual, Banco do Brasil, HSBC, Rabobank e Bladex (Banco Latino-americano de Exportação). Os recursos do empréstimo, que vence em 2017, serão usados para alongar o perfil de endividamento do grupo, concentrado no curto prazo.

Com faturamento de R$ 337 milhões em 2012, a empresa apresentava em 31 de dezembro do ano passado dívida líquida de R$ 330 milhões, dos quais R$ 240 milhões com vencimento em menos de doze meses. Além de postergar o vencimento, a operação sindicalizada também reduzirá o custo médio do endividamento bancário da empresa. Nos cálculos do grupo, esse custo agora ficará dois pontos percentuais menor.

Neste ciclo 2013/14, as duas usinas do grupo – localizadas em Paraíso e Ubarana – vão processar 3,55 milhões de toneladas. Mas quando a atual crise mundial veio à tona, no segundo semestre de 2008, a empresa estava imersa na construção da sua segunda unidade, lembra o fundador do negócio, Antonio Ruette, hoje com 85 anos. Os recursos originalmente captados para o projeto foram insuficientes para concluí-lo. Ele recorda que empréstimos-ponte tiveram que ser feitos, e a situação evoluiu para um indesejável aumento da dívida, combinado com preços depreciados do etanol nos anos seguintes.

Nascido em 1929, ano da quebra da bolsa de Nova York, Ruette sempre se interessou pelas histórias que cercam crises, mas não imaginava que teria a própria história para contar. Ele construiu sua primeira unidade aos 59 anos (em 1988), depois de trabalhar por 32 anos na usina da irmã Carmen – que havia ficado recentemente viúva de Virgolino de Oliveira, fundador do grupo que leva seu nome e é o maior sócio da Copersucar.

Em 2003, quando já tinha na sua primeira unidade (originalmente uma produtora de cachaça) fabricação de etanol hidratado, anidro, açúcar e eletricidade, Ruette viu no otimismo com o "combustível renovável" da época uma oportunidade para apostar numa segunda usina. "O Lula transformou o usineiro em herói. E eu acreditei", ressente-se Ruette, referindo-se ao que ele considera um clima de euforia propagado pelo ex-presidente e que depois teria se dissipado com a descoberta de petróleo nas camadas do pré-sal.

Assim, em 2008, Ruette começou a construir a segunda usina, o que desestruturou as finanças do grupo. Em meados de 2009, a empresa tomou a decisão de profissionalizar a gestão do negócio. "Percebemos que não íamos conseguir sobreviver em uma administração familiar", lembra.

Sob a liderança de uma consultoria, a empresa contratou um executivo do mercado e implantou comitês (finanças, comercialização e agrícola) para gerenciar o negócio. O fundador, que detém 66% da firma, e seus cinco filhos, com 44%, integram os comitês e participam de todas as decisões. Mas não é deles a palavra final.

A condição trouxe resistências, mas Ruette se diz satisfeito com o rumo tomado pela empresa. A moagem, que havia sido de 2,4 milhões de toneladas há dois ciclos, vai alcançar 3,55 milhões de toneladas este ano. A margem operacional se recuperou com o maior uso da capacidade e está na dos 30% a 35%, afirma ele. "E estamos com uma remuneração para o açúcar acima da média do mercado", acrescenta Ruette.

Ele afirma que a maior parte das 170 mil toneladas de açúcar que vai produzir neste ciclo estão fixados a um valor médio de R$ 1 mil por tonelada. "Mas eu sei que a empresa vai demorar uns oito anos para ficar com as finanças em dia e voltar a trazer retorno aos acionistas".

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Fonte: Valor | Por Fabiana Batista | De São Paulo

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