Grupo Pinesso entra com pedido de recuperação judicial

O Grupo Pinesso, um dos mais importantes produtores de grãos e fibras do país, entrou na segunda-feira com pedido de recuperação judicial na comarca de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Com dívidas estimadas em R$ 571 milhões, o grupo tem entre seus controladores Gilson Pinesso, considerado uma das maiores lideranças nacionais do segmento de algodão e ex-presidente da Abrapa, associação que representa os cotonicultores brasileiros. De acordo com José Luis Finocchio Júnior, sócio do escritório Finocchio&Ustra, que representa o Grupo Pinesso, parte da dívida (concentrada em aquisição de insumos e contratos de fornecimento de commodities) é em dólar, por isso o montante é passível de correções cambiais. "A perda da safra 2012/13 foi o início do processo, depois vieram questões de câmbio [que elevaram os custos de produção], aumento das taxas de juros e queda nos preços das commodities no mercado internacional", disse o advogado ao Valor. Os credores são, em sua maioria, bancos. Na temporada 2012/13, acrescentou, o grupo perdeu em torno de 30% de sua produção de soja em função do excesso de chuvas em Mato Grosso e da seca no Piauí. A família Pinesso, que também produz em Mato Grosso do Sul, detém 12 fazendas e uma área de 110 mil hectares, divididos entre soja, milho, algodão e sorgo. O faturamento anual é de cerca de R$ 550 milhões. A gestão foi profissionalizada e Gilson ocupa a presidência do conselho de administração. O grupo tem ainda revendas de máquinas e implementos em Mato Grosso, além de negócios no Sudão. Mas conforme Finocchio Júnior, as dívidas contempladas no pedido de recuperação dizem respeito apenas à operação brasileira. Antes do pedido à Justiça, o grupo tentou ajustar seus custos, mas não teve sucesso na renegociação amigável com parte dos credores, disse o advogado. Ele ressaltou que, embora a alavancagem da empresa seja alta, os ativos imobiliários são "muito superiores" à divida. "Por isso achamos que em breve conseguiremos a reestruturação do grupo". A avaliação dos ativos ainda está em curso. O grupo aguarda o deferimento da recuperação judicial, o que deve acontecer em dez dias. E dentro de 60 dias – a contar a partir de segunda-feira, quando a ação foi ajuizada -, a empresa terá de apresentar seu plano de recuperação com as ações previstas para a reestruturação, cuja elaboração está sendo feita com auxílio também da Planner Consultoria.

Fonte: Valor

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