Grupo Bom Futuro busca ganho de eficiência

Leo Pinheiro/Valor

Segundo o empresário Eraí Maggi, após franca expansão o objetivo do grupo é investir pesado em produtividade

Eraí Scheffer Maggi, maior produtor de soja do Brasil, parece ter deixado em segundo plano a expansão de suas áreas de soja e milho, e está obcecado com a produtividade de suas lavouras. Calcada em manejo do solo, essa é a receita para a competitividade de seu Grupo Bom Futuro – um dos maiores do agronegócio, com faturamento de R$ 2,3 bilhões em 2016. Com isso, minimiza os desafios climáticos e os preços comprimidos no mercado global de commodities.

Em sociedade com os irmãos Fernando e Elusmar Scheffer Maggi e o cunhado José Maria Bortoli, o empresário, de 58 anos, planta soja, milho, algodão, arroz e feijão em 520 mil hectares distribuídos em 95 fazendas, espalhadas por todas as regiões de Mato Grosso. Mas não se limita aos grãos. Cria peixes em tanques-rede que rendem 3 mil toneladas por ano. Recria e engorda 120 mil cabeças de gado bovino num sistema integrado com pecuaristas do Estado. Também investe em energia, armazenagem e infraestrutura de transportes.

A safra passada, a 2016/17, foi uma das melhores dos últimos anos tanto para a soja quanto o algodão, carros-chefes do Bom Futuro, diz Eraí, em entrevista ao Valor. O grupo produziu 978,2 mil toneladas de soja (alta de 15% frente a 2015/16) e 685,4 mil toneladas de milho (aumento de 37%). A safra de algodão ainda não foi colhida, mas deve ser superior ao volume de 152,6 mil toneladas do ciclo 2015/16. O produtor, contudo, não revela a estimativa de crescimento.

"Até crescemos em produção, um beliscão ali, 2%, 3%, mas o objetivo agora é outro. É em produtividade, melhorar nossas terras, corrigir o solo, mas o investimento é pesado", afirma Eraí. "A gente consegue compensar preços baixos e estoques altos com muita pesquisa e produtividade, porque é aí que eu dobro patrimônio, rentabilidade, empregos. Mas é claro que isso leva cinco, seis anos para começar a responder."

Apesar de não ser agrônomo de formação, o produtor recorre à tabela periódica para repetir com exaustão os nomes de todos os fertilizantes que ajudam a tornar mais produtivo o solo de suas propriedades, passando por calcário, cálcio, magnésio, manganês, fósforo, fosfato, potássio, dentre outros minerais. E é o investimento maciço nesses produtos que dita a transformação de suas áreas de plantio, sobretudo nos atuais 101 mil hectares destinados ao cultivo do algodão.

O custo do grupo com o preparo do solo, defensivos e maquinário com o algodão chega a R$ 10 mil por hectare, recurso suficiente para elevar o rendimento da fibra produzida em algumas de suas propriedades para até 350 arrobas por hectare – anteriormente ficava abaixo de 300 arrobas. Por isso mesmo, a estratégia do Bom Futuro é expandir a área com algodão em 10%, para 115 mil hectares na temporada 2017/18, que ainda nem começou a ser plantada, mas que deve ter condições climáticas favoráveis, segundo o empresário. O cenário do mercado também é positivo para o algodão atualmente, com preços indicando elevação da demanda internacional.

Como o algodão se esparrama pelas mesmas áreas de soja, Eraí lembra que a oleaginosa, que ocupa 263,7 mil hectares nas propriedades do grupo Bom Futuro, também foi beneficiada pelos investimentos para ganhar eficiência: a produtividade média da soja saiu de 48 sacas por hectare há seis safras, para 64 sacas por hectare no último ciclo, o 2016/17.

Os negócios do Bom Futuro vêm se diversificando ao longo das mais de três décadas de existência. Eraí nega, no entanto, que avalie a compra de um frigorífico no Estado, informação que circulou em Mato Grosso. Mas a piscicultura e a geração de energia ganham espaço nos projetos do grupo.

A criação de peixes como tambaqui, dourado, pintado, tilápia e tambacu, que se dá numa área de 300 hectares na região da Chapada dos Guimarães, por exemplo, vem recebendo investimentos em pesquisa em busca de alevinos mais produtivos.

Nas represas que percorrem suas fazendas, o Grupo Bom Futuro também implantou cinco usinas hidrelétricas de pequeno porte (CGH), que juntas têm capacidade de 19,6 MW. Uma sexta está em processo de instalação. Elas geram energia para os armazéns, algodoeiras e fábricas de ração das fazendas. O excedente de energia é comercializado. Além disso, o grupo tem planos para 10 novos projetos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), com capacidade somada de 129 MW.

 

Por Cristiano Zaia | De Brasília

Fonte : Valor

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