GRÃOS | Sucessão de culturas desafia pesquisadores

A dobradinha milho e soja na mesma safra avança no Estado sem recomendação técnica para o cultivo nesse formato de sucessão. Na ausência de informações científicas sobre cultivares e manejo adequados para o plantio fora de época, produtores estão fazendo seus próprios testes nas lavouras.
– O campo está desafiando a pesquisa a fornecer informações ainda inexistentes – analisa Alencar Rugeri, assistente técnico da Emater-RS.
Para o agrônomo, o encurtamento do ciclo das culturas de verão tende a se fortalecer, especialmente em áreas irrigadas.
– Estamos caminhando para ter uma segunda safra de soja oficial, e não vai demorar muito – avalia Rugeri, que aposta em um período inferior a 10 anos para a safrinha gaúcha ser incluída no zoneamento agrícola de risco climático da cultura e, consequentemente, no seguro agrícola.
Do ponto de vista técnico, o cultivo de milho (gramínea) seguido de soja (leguminosa) é perfeito, explica Ana Claudia Barneche de Oliveira, pesquisadora da Embrapa. Usando ciclos superprecoces (de até cem dias, ante os 130 dias normais) os produtores conseguem semear a soja em janeiro e colher até o final de abril. Assim, aproveitam a palhada deixada pelo milho no solo.
– O risco está na falta de água para a cultura se desenvolver e na incidência maior de pragas e doenças nesse período – alerta a pesquisadora de melhoramento genético da soja.
Enquanto o primeiro ponto pode ser resolvido com a irrigação, o segundo deve ser reduzido com o monitoramento das lavouras (veja na próxima página dicas de como fazer o manejo entre as duas culturas na mesma safra).
– A safrinha é uma lavoura que demanda cuidado maior, já que irá germinar com esporos de fungos presentes nas áreas semeadas anteriormente – completa Ana Claudia.

Fonte: Zero Hora

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