GRÃOS | Receio na hora de entregar a colheita

Dificuldades financeiras em empresas de grãos causam apreensão

Às vésperas da colheita de nova safra que promete ser recorde, dificuldades financeiras enfrentadas por algumas cooperativas e cerealistas gaúchas deixam produtores apreensivos sobre onde armazenar o volume histórico esperado nas lavouras. Passivos acumulados nos últimos anos, em períodos de seca ou em contratos futuros frustrados, afetaram os balanços de empresas que recebem os grãos e os negociam para exportação ou beneficiamento.
– O agricultor está com medo de entregar o produto e não receber, pois ficou com pagamentos em aberto ainda referentes a safras passadas – aponta o Dilermando Rostirolla, presidente da Associação das Empresas Cerealistas do Estado (Acergs).
Conforme Rostirolla, a seca de dois anos atrás fez com que empresas se endividassem para cumprir contratos futuros, especialmente de soja, fechados com tradings (exportadoras).
– As safras foram vendidas antecipadamente, e o produtor não entregou por causa da estiagem. Além de honrar os contratos, porque os exportadores não querem saber disso, as empresas tiveram de pagar um preço bem maior pelo grão devido à alta na cotação da commodity – explica o presidente da Acergs.
Como consequência de uma conta que não fechou, muitos produtores não viram a cor do dinheiro de safras vendidas. É o caso de agricultores de municípios do noroeste gaúcho, como Santo Ângelo, Três de Maio e Santo Augusto, que esperam para receber pagamentos de parte dos grãos entregues à Cotrijui e à Camera. Receosos, esses produtores não sabem onde irão entregar a soja e o milho que serão colhidos a partir de agora. Mesmo quem não têm valores a receber prefere evitar correr riscos:
– Vou entregar a safra a no mínimo quatro cerealistas para diluir o risco – afirma Jaime Luiz Rosso, 50 anos, produtor com 110 hectares plantados em Horizontina.
Na mesma região, produtores reclamam de passivos envolvendo a Cooperativa Agropecuária Alto Uruguai (Cotrimaio), que há um ano entrou em liquidação extrajudicial, com continuidade dos negócios. Na região Central, a preocupação está concentrada na Multi Rural, com sede em Tupanciretã. Procurada, a empresa não retornou os contatos.
Para ter a exata dimensão dos passivos, a Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro) está fazendo um levantamento.
– Em fevereiro, teremos esses dados em mãos para tentar alongar financiamentos ou buscar outras medidas – aponta o presidente da entidade, Rui Polidoro Pinto.
Apesar disso, Polidoro acredita que o Estado não sofrerá maiores problemas de armazenagem porque as cooperativas aumentaram em 7% a capacidade de estoques em relação a 2013.
joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI

MULTIMÍDIA

Fonte: Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *