Grãos contribuem para superávit de US$ 164 milhões na balança comercial de março

Brasil foi beneficiado pela exportação de grãos, indica secretária de Comércio Exterior do MDIC

Diego Vara

Foto: Diego Vara / Agencia RBS

Virada no resultado da balança comercial, que reverteu nos últimos dias de março, está ligada ao início do escoamento da safra agrícola, diz analista

Além do impacto menor do que o esperado das importações de petróleo, a balança comercial de março foi beneficiada pelas exportações de grãos, segundo a secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Tatiana Prazeres. Com todos os segmentos, o país registrou um superávit de US$ 164 milhões no mês passado.
– As exportações de grãos contribuíram para o resultado de março – disse a secretária.
A expectativa para a balança comercial de 2013, segundo ela, segue inalterada desde o início do ano. A secretária reafirmou a perspectiva de volumes de vendas externas próximos aos recordes verificados nos últimos dois anos.
Tatiana apontou que o resultado do primeiro trimestre da balança comercial, apesar de deficitário em US$ 5,150 bilhões, ficou dentro das expectativas do MDIC e que gostaria de ver "o quanto antes" o impacto das importações de petróleo feitas pela Petrobras no ano passado nas contas da balança. A secretária salientou que, ao mesmo tempo que houve um aumento das compras de derivados de petróleo pelo Brasil, houve diminuição das exportações de petróleo.
Do saldo de março, US$ 19,323 bilhões foram resultados de exportações e US$ 19,159 bilhões, de importações. Apesar de superavitário, foi o resultado mais fraco para o mês desde março de 2001, quando houve déficit de US$ 274 milhões.
De acordo com dados do MDIC, as vendas de semimanufaturados foram as que mais contribuíram para o aumento das exportações, com elevação de 17,2% sobre março de 2012. Os principais produtos responsáveis foram cobre, açúcar bruto, alumínio bruto, couros e peles, celulose, ferro fundido e ligas de ferro. Os manufaturados registraram elevação mais modesta de 4,1% e a comercialização de básicos teve recuo de 3,7% na comparação com 2013.
Os manufaturados que puxaram a elevação nas vendas externas foram plataforma para extração de petróleo, hidrocarbonetos, suco de laranja congelado, automóveis de passageiros, motores e geradores elétricos e açúcar refinado.
Quanto aos produtos básicos, os itens da pauta que puxaram o recuo nas vendas foram trigo em grão, petróleo bruto, algodão bruto, folhas de fumo, minério de cobre, farelo de soja, grão de café, carne suína e minério de ferro. Por outro lado, cresceram no mês as exportações das carnes de frango e bovina, de milho e soja em grão.
Com relação aos mercados compradores, tiveram recuo as vendas externas para Estados Unidos (-5,6%), América Latina e Caribe (-16%) e União Europeia (-6,9%). Houve alta nas exportações para Europa Oriental (+26%), África (+12%), Oriente Médio (+10,1%), Mercosul (+7,2%) e Ásia (+1,7%).
Início do escoamento

A virada no resultado da balança comercial brasileira, que reverteu nos últimos dias de março a tendência negativa que vinha apresentando desde o início do ano, está ligada ao início do escoamento da safra agrícola, explicou o economista da Tendências Consultoria Integrada Bruno Lavieri.
– Normalmente em março temos uma melhora na balança frente aos meses anteriores por conta do início do escoamento da safra agrícola.
A projeção da Tendências é de saldo de US$ 12,5 bilhões no fechamento de 2013. Ele ressalta, contudo, que ainda há questões que podem influenciar o comércio mundial neste ano.
– Os países desenvolvidos ainda estão patinando. A China, por mais que esteja crescendo, está vivendo uma mudança de dinâmica, mais voltada para o mercado doméstico. E há também uma questão política, pois, com esse fraco desempenho econômico, algumas economias vêm aumentando esse protecionismo.

ESTADÃO CONTEÚDO E AGÊNCIA BRASIL

Fonte: Ruralbr

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