GRÃOS | As primeiras larvas, por Dr. José Roberto Salvadori e Dr. Paulo Roberto Valle*

Estudos desenvolvidos na Universidade de Passo Fundo (UPF) e na Embrapa Trigo, em Passo Fundo, desde dezembro de 2012, permitiram registrar a ocorrência de uma nova praga no Estado. Trata-se da Helicoverpa armigera, que ocorre em todos os continentes, causando dano em mais de 180 espécies de plantas. No Brasil, a presença foi confirmada pela primeira vez na região do Cerrado (oeste da Bahia, Goiás, Mato Grosso etc.) entre março e abril de 2013. Porém, admite-se que já estava presente há mais tempo, causando danos principalmente na soja, no algodão, no milho e no tomate industrial.
Na safra 2012/13, os prejuízos causados por esta lagarta à agricultura brasileira teriam atingido cifras bilionárias. No mundo, se estima em US$ 5 bilhões os custos anuais com controle e as perdas de produção. Cerca de 50% dos inseticidas utilizados na China e na Índia são para o controle da Helicoverpa armigera. Atualmente, a praga está disseminada no país. No Rio Grande do Sul, lagartas sob suspeita, coletadas ainda na safra passada, foram criadas na UPF e na Embrapa até obtenção de adultos (mariposas), fase na qual a identificação da espécie é mais segura. A lagarta, além de se alimentar de inúmeras espécies de plantas, tem preferência pelos órgãos reprodutivos das mesmas, como frutos, legumes, grãos, etc. Todavia, na ausência destes, alimenta-se vorazmente de folhas. Na soja, pode atacar os brotos e folhas das plântulas desde logo após a emergência e, depois, folhas, vagens e grãos até muito próximo da colheita. Ainda, não se sabe se a severidade da praga no Estado atingirá os níveis que ocorrem no Cerrado, pois as condições climáticas e os modelos de sucessão de culturas são diferentes. Por essa razão, recomenda-se que o problema seja encarado com cautela e sem pânico.
Todavia, o monitoramento deve ser constante e cuidadoso para constatar se há infestação logo no início, para então adotar medidas adequadas no momento certo. Para tanto, o acompanhamento da existência de ovos e de lagartas ainda pequenas deve ser feito por exame visual, diretamente sobre as plantas. A presença de mariposas nas lavouras pode ser diagnosticada pelo uso de armadilhas de feromônio sintético, disponível no comércio nacional. Estamos coletando informações de dezenas de armadilhas instaladas no no Estado. Na presente safra, a ocorrência de ovos e de lagartas de Helicoverpa foi registrada nas últimas semanas. Na dúvida, os produtores devem procurar a assistência técnica. Diversas iniciativas para treinamento da assistência já estão ocorrendo, tanto por parte de empresas públicas como da iniciativa privada.
Para a safra 2013/2014, a soja deve ser semeada em torno 4,6 milhões de hectares, que representa quase 70% da área de cultivo no Estado.
*Professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo (UPF) e Pesquisador da Embrapa Trigo

Fonte: Zero Hora

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