Grão convencional é valorizado nos mercados europeu e japonês

Mesmo com menos de 10% das lavouras, Brasil é o maior produtor mundial de soja não-transgênica

Grão convencional é valorizado nos mercados europeu e japonês Tadeu Vilani/Agencia RBS

Produtores de soja convencional recebem até R$ 8 a mais por saca Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Joana Colussi

joana.colussi@zerohora.com.br

Com o plantio da soja convencional quase nulo nos Estados Unidos e na Argentina, o Brasil se tornou o maior produtor mundial do grão não transgênico – mesmo com apenas 10% das lavouras com esse tipo de semente. A segregação resulta num prêmio aos produtores, a maioria deles em Mato Grosso, que recebem até R$ 8 a mais por saca ao suprir a demanda de japoneses e europeus.

– Embora exija mais esforço o grão convencional representa lucro adicional – avalia Cesar Borges de Sousa, presidente da Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange).

Para abastecer os mercados do Japão e da Europa, onde há forte resistência à transgenia, o produtor arca com o custo de colheitadeiras, armazéns e contêineres exclusivos para exportar o grão não modificado.

Passados mais de 10 anos da aprovação do cultivo da soja geneticamente modificada no país, os agricultores agora são desafiados a aplicar técnicas adequadas para se defender dos efeitos das sementes modificadas ao longo dos anos, como a resistência a pragas. Em efeito semelhante ao uso constante de antibióticos por humanos, os transgênicos precisam de manejo correto para manter a eficácia.

– As plantas daninhas acabam se adequando e criando resistência ao glifosato, isso é natural com o passar dos anos. Por isso é importante usar diferentes tipos de herbicidas nas safras e fazer rotação com variedades diferentes – explica Luis Nery, membro Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb).

A ausência de assistência, na época em que a semente ainda era plantada sem autorização legal, fez com que as práticas agrícolas recomendadas pelos laboratórios não fossem seguidas à risca. Para evitar que isso ocorra novamente com a Intacta RR2, segunda geração da soja transgênica da Monsanto, a multinacional terá técnicos para acompanhar o cultivo.

TIPOS DE PRODUÇÃO

Transgênica

Usa semente geneticamente modificada em laboratório. O gene da Intacta RR1 oferece tolerância da planta ao glifosato. Neste ano, entra no mercado a Intacta RR2, que promete resistência às principais lagartas que atacam a cultura. Há, porém, o custo com royalties.

Convencional

Usa semente sem alteração genética. Nesse caso, é necessário o uso de herbicidas e pesticidas para evitar ataques de ervas daninhas e pragas. Apesar do avanço das sementes modificadas, o Brasil ainda é o maior produtor mundial do grão convencional, abastecendo os mercados europeu e japonês.

Orgânica

Usa semente convencional, sem aplicar herbicidas e pesticidas, com controle rígido do solo. Com o cultivo totalmente natural, as perdas são maiores e o custo de produção, em geral, bem mais alto.

Fonte: Zero Hora

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