Grão contou com rede de pesquisadores em todo o País

Durante o boom inicial da soja, foi ministro da Agricultura o agrônomo gaúcho Luiz Fernando Cirne Lima, que icou no cargo por três anos. Antes de sair, em maio de 1973, ele teve tempo para assinar a fundação da Embrapa, fruto da conluência de diversos núcleos de pesquisa agrícola espalhados pelo País. No caso da soja, as unidades mais experientes naquele momento eram as de Pelotas, Passo Fundo e Londrina (PR), onde se ixaria, a partir de 1975, o Centro Nacional de Pesquisa da Soja. Não por acaso, os primeiros líderes da pesquisa da soja foram gaúchos, a começar por Francisco de Jesus Vernetti, um dos pioneiros das pesquisas de melhoramento em Pelotas.

Posteriormente, entrariam em ação outros polos como os de Sete Lagoas (MG), Planaltina (DF) e Goiânia (GO). Havia, ainda, parcerias com universidades como as de Viçosa (MG) e do Rio de Janeiro, além da colaboração de institutos estaduais como o IAC, o Iapar, a Epamig, a Emgopa, a Epagri e a Fepagro. Com o passar do tempo, a Embrapa estendeu ao País inteiro uma rede de experimentos responsável pelo melhoramento de milhares de variedades de sementes adaptadas a todos os biomas, ecossistemas e microclimas.

Desse gigantesco esforço resultou a tropicalização da soja, originária do clima temperado da Ásia. Por isso esse vegetal é considerado um fenômeno, não só no aspecto agronômico, mas por seu potencial como matéria-prima industrial e alimento rico em propriedades nutracêuticas (alimento + remédio). Sua expansão geográica foi tão rápida que os pesquisadores alarmados com o risco de um apagão ambiental precisaram correr para estudar as frutas, as ervas e as raízes dos Cerrados, bioma que cobre 22% do território brasileiro.

Uma das pessoas sobreviventes dessa correria é a bióloga Semíramis Pedrosa, baiana de Barreiras que trabalhou por 40 anos na Embrapa de Planaltina e catalogou mais de 200 espécies vegetais nativas: araticum, baru, cagaita, cajus etc., cujos frutos antes ignorados estão na culinária do Brasil Central, ao lado do tradicional pequi.

Fonte: Jornal do Comércio

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