Gripe aviária impulsiona exportações de frango

A janela de oportunidade aberta pelo surto de gripe aviária que atinge os EUA, principal concorrente do Brasil no mercado global de carne de frango, levou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) a revisar para cima sua estimativa para o crescimento das exportações do segmento neste ano.

Conforme a entidade, agora as exportações de carne de frango podem crescer até 5% em 2015. No início do ano, a ABPA previa aumento de 3%. "Depende de como o mercado global reage a essa ausência de exportação, mas podemos ter até surpresa muito melhor do que 5%", afirmou ontem a jornalistas o vice-presidente de aves da ABPA, Ricardo Santin.

Se crescer mesmo os 5% agora projetados, as exportações brasileiras de carne de frango somarão 4,3 milhões de toneladas neste ano. Em 2014, os embarques totalizaram 4,1 milhões de toneladas, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela ABPA.

A revisão da estimativa da entidade ocorre após os resultados históricos de junho, quando foram embarcadas 396 mil toneladas de carne de frango – maior volume já exportado em um mês. Mas esse recorde deve ser superado. De acordo com Santin, o ritmo de embarques neste mês indica que as vendas dos frigoríficos brasileiros ultrapassarão a marca de 400 mil toneladas, puxados por países como tais como China, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, África do Sul e Rússia.

Na avaliação de Santin, o quadro global de exportações de carne de frango já demonstra que o Brasil é o principal beneficiário da epidemia de gripe aviária. Além da clara relação com os Estados Unidos, que competem diretamente com o Brasil nas exportações, a doença também atinge outros 44 países, processo que fez do Brasil o principal "repositor" de carne de frango no mundo.

Além do Brasil, outro beneficiado é a Tailândia. De acordo com Santin, os tailandeses já aumentaram em cerca de 60 mil toneladas as exportações de frango no acumulado de 2015 – alta de 11%. Apesar disso, ele ressaltou que a maior parte vem mesmo sendo capturada pelo Brasil. Apenas em junho, as exportações brasileiras cresceram mais de 90 mil toneladas na comparação com o mesmo mês de 2014, destacou.

Diante do forte ritmo das exportações, o preços do frango no mercado doméstico tendem a subir, indicou ontem o presidente-executivo da ABPA, Francisco Turra, aos jornalistas. "É óbvio que há uma tendência de alta por uma pressão exportadora", previu o dirigente.

A ABPA ampliou a projeção para a exportação de carne de frango, mas manteve a estimativa para o crescimento da produção nacional. A previsão é de um avanço entre 2% e 3% na produção de carne de frango, para algo em torno de 13 milhões de toneladas. Para o setor de suínos, a estimativa de produção brasileira foi mantida em 3,5 milhões de toneladas, estável na comparação com 2014.

Fonte: Valor | Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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