"Greve depende do governo"

Líderes dos caminhoneiros dizem que a possibilidade de decretação de greve está nas mãos do governo. Dentro da categoria, porém, não há clima favorável a bloquear rodovias e cruzar os braços, como ocorreu em maio do ano passado. Apesar de poucos dirigentes acreditarem na possibilidade de o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, apresentar alguma proposta na reunião de hoje, isso não deve implicar o início de uma paralisação. A disposição é a de dar uma nova chance ao Executivo.

A expectativa das lideranças do movimento é que o governo peça mais prazo para elaborar uma nova tabela, alegando que precisa montar uma resolução que atenda às necessidades dos autônomos, embarcadoras e transportadoras. Chegar a um denominador comum que não crie distorções levaria tempo. É algo que a maioria poderia tolerar, prevê o caminhoneiro Ivar Schmidt, líder do Comando Nacional do Transporte.

Os caminhoneiros autônomos, porém, querem mudanças na tabela da ANTT. Eles acusam a Escola Superior deAgricultura Luiz de Queiroz (Esalq), que subsidiou a elaboração da resolução da agência, de ser ligada ao agronegócio. O caminhoneiro Gustavo Ávila, que participará da reunião com Freitas hoje, afirma que a abela apresenta anomalias na diferenciação dos valores pagos aos fretes aos pequenos e grandes transportadores. "É um desequilíbrio absurdo que penaliza os autônomos. Não podemos aceitar isso. Precisamos adequar os valores do eixo do caminhão por quilômetro percorrido", ponderou.

A aposta de Ivar Schmidt é de que o governo peça prazo até uma data próxima a 4 de setembro, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar se o tabelamento dos fretes viola ou não a livre concorrência. "Talvez cheguemos a algum acordo. Diria que uma maioria de 80% dos líderes vão aceitar", destacou. O restante, no entanto, tenderia a propor o início de uma paralisação amanhã ou na próxima segunda-feira.

Não seria a primeira tentativa de uma minoria de caminhoneiros incitarem uma greve em 2019. Além do fechamento e bloqueio de alguns trechos de rodovias entre a noite de domingo e segunda-feira, outros dois movimentos tentaram provocar uma greve ao longo do ano. Um, comandado pelo caminhoneiro Wanderlei Alves, o Dedeco, e outro sem a participação de líderes, capitaneado sem liderança, pelo "baixo clero" dos transportadores. (RC e LC)

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE – DF